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Classe trabalhadora na berlinda, a degola começou

A façanha de Temer com a reforma trabalhista indica que até o final deste ano acumularemos 20 milhões de brasileiros desempregados.


POR Adilson Araújo

Publicado em 20 de julho de 2017

Foto de Reprodução

Com menos de uma semana da aprovação da Reforma Trabalhista, milhares de brasileiros e brasileiras se encontram no fio da navalha com a onda de lançamento de planos de demissão voluntária em diversos ramos de trabalho pelo país.

O que empresários chamam de primeiras ações do pacote da reforma trabalhista conta a crise é uma releitura do que aconteceu nos anos 1990, "demissões voluntárias". Um tipo de demissão velada que coloca na berlinda a classe trabalhadora. E como isso funciona?

O empresário determina ou você “adere” ao desligamento da empresa. E para camuflar ao trabalhador é oferecido um prêmio: peça pra sair e ganhe 1 salário adicional.

A façanha de Temer com a reforma trabalhista indica que até o final deste ano acumularemos 20 milhões de brasileiros desempregados.

À Delfim Netto, o governo interpreta os números a seu favor. Os mais recentes dados sobre o mercado de trabalho mostram que o desemprego parou de aumentar. Boa notícia? Nem tanto.

Já que nesta conta o governo não coloca os números da precarização e a desistência da busca por trabalho. E isso pode ficar pior. O projeto de Temer pode tirar o país de um cenário de crise conjuntural e conduzi-lo a um cenário de crise estrutural.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) são claros, em junho, houve forte desaceleração na geração de emprego em relação a maio, quando a criação de vagas com carteira assinada superou as demissões em 34.253 em postos.

O projeto de Temer pode tirar o país de um cenário de crise conjuntural e conduzi-lo a um cenário de crise estrutural.

A conta é simples. O Brasil encerrou o primeiro semestre deste ano com um saldo 67.358 mil vagas, uma expansão de 0,18% em relação a dezembro de 2016. Apesar disso, entre junho de 2016 e junho de 2017 o saldo para o mercado de trabalho é negativo, com a demissão de 749.060 trabalhadores com carteira assinada.

Dos que defenderam a proposta de reforma com o discurso que seriam gerados mais empregos, já anunciaram pacotes de milhares de demissões: BRADESCO, CAIXA, PETROBRÁS, ELETRONORTE e CORREIOS.

Somente, em junho, o setor industrial em São Paulo podou 9,5 mil empregos. Outros setores como a construção civil (menos 8.963 postos); a indústria de Transformação (menos 7.887 postos); Serviços (menos 7.273 postos); e Comércio (menos 2.747 postos). Um recuo de 37.370 mil postos de trabalho em todo o país.

Ou seja, o resultado comemorado pela gestão Temer e que encontra eco em análises falaciosas da imprensa nacional é pura interpretação cosmética da realidade difícil que se instala no Brasil, sobretudo após a aprovação da reforma trabalhista.


Adilson Araújo

Adilson Araújo é presidente Nacional da CTB.