Artigos

Os metalúrgicos, suas lutas e preocupações

Os interesses do movimento sindical obrigam os trabalhadores à tarefa de resistirem e defenderem sua pauta, ao mesmo tempo em que furam a bolha ideológica que envolve, anestesia e corrompe o patronato industrial contrária a seus próprios interesses.


POR João Guilherme Vargas Netto

Publicado em 27 de março de 2018

Marcelino da Rocha, presidente da FITMETAL, e João Guilherme, consultor sindical, em reunião do Brasil Metalúrgico

Foto de André Cintra

A Fitmetal, confederação de trabalhadores metalúrgicos que integra o Brasil Metalúrgico, lançou durante o Fórum Social Mundial a revista “Indústria, Desenvolvimento e Trabalho” uma publicação especial sobre a indústria brasileira e a categoria metalúrgica.

São inúmeros textos altamente qualificados em que os autores, ao valorizarem a ação sindical, denunciam a desindustrialização precoce da economia brasileira e defendem uma pauta produtivista para o movimento dos trabalhadores.

Embora seja muito difícil defender hoje a aliança com empresários para enfrentar a desindustrialização devido às posições reacionárias deles e o oportunismo lobista que os atrai, os textos da revista são unânimes em defender tal necessidade.

Para quem tem dúvidas basta saber que a taxa de participação da indústria na composição do PIB nacional regrediu a 1947 como informou a professora Eliana Araújo no seminário da Fundação Maurício Grabois sobre os desafios para a retomada do desenvolvimento, recentemente realizado.

Os empresários da indústria – sejam nacionais ou estrangeiros – estão sendo afastados do eixo da produção e dos centros decisórios da política econômica e, prisioneiros de uma ideologia rentista que os desqualifica, persistem em suas posições contrárias às reivindicações trabalhistas e de defesa da aplicação irrestrita da lei celerada.

Os empresários da indústria – sejam nacionais ou estrangeiros – estão sendo afastados do eixo da produção e dos centros decisórios da política econômica.

No entanto, os interesses do movimento sindical obrigam os trabalhadores à tarefa de resistirem e defenderem sua pauta, ao mesmo tempo em que furam a bolha ideológica que envolve, anestesia e corrompe o patronato industrial contrária a seus próprios interesses.

E, desde já resistem às investidas reacionárias do governo e à síndrome do escorpião dos empresários, garantindo com movimentos fortes dos trabalhadores metalúrgicos o avanço de sua pauta unitária. Exemplos expressivos foram as votações maciças pró-sindicais dos metalúrgicos de Camaçari na Bahia e a vitoriosa campanha dos metalúrgicos da Grande Curitiba. Em ambos os casos os trabalhadores aprovaram também os recursos financeiros para os sindicatos respectivos.

Estes e muitos outros exemplos (Viva a comerciária que ganhou na justiça o direito à homologação sindical de sua demissão! Vivam os metalúrgicos de São Paulo e suas três greves para garantir os acordos! Vivam os funcionários da prefeitura que mantém a mobilização contra a deforma previdenciária do Dória!) demonstram que ao medo e à desorientação devem se contrapor a resistência e a unidade.

 

 


João Guilherme Vargas Netto

João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo.