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Previdência de Bolsonaro está na contramão da história


POR Marcelino da Rocha

Publicado em 29 de março de 2019


A ciência e a biologia já nos deram provas concretas de que a História da vida na Terra está em constante evolução. A teoria de Darwin, no entanto, nem sempre caminha lado a lado com as conquistas sociais que afetam e regem a vida dos seres humanos, tampouco com seus anseios e perspectivas para o futuro. Os primeiros três meses do novo governo brasileiro infelizmente atestam essa análise.

Em menos de cem dias, já seria possível elaborar uma longa lista de atrocidades proferidas pelo presidente, por seus filhos ou por membros do primeiro escalão do governo. Creio, no entanto, que neste momento devemos centrar esforços para enterrar de vez a malfadada Reforma da Previdência, símbolo do que há de mais perigoso para nossa sociedade.

A crítica à Reforma deve partir de um pressuposto básico: ela está na contramão da História. Infelizmente, seu conteúdo faz parte de um conjunto de políticas ultraliberais que ganham força em vários países na atualidade, mas cujo teor se choca frontalmente com as conquistas sociais obtidas pela humanidade ao longo do século 20.

Pela proposta levada ao Congresso, algo que deveria ser motivo de comemoração para uma sociedade (o aumento na expectativa de vida de homens e mulheres) se tornará um martírio, pela ausência de garantias de uma renda mínima na velhice. Algumas categorias teriam que contribuir 49 anos para se aposentarem sem perdas no benefício. Não se trata de privilégios, mas sim da sobrevivência de milhões de pessoas, que ficarão completamente desamparadas em seus últimos anos de vida.

A automação e as tecnologias que transformaram nossas vidas ao longo das últimas décadas deveriam ter mudado para melhor o mundo do trabalho. No entanto, estamos voltando a ver cidadãos trabalharem até 16h por dia para conseguirem manter um padrão mínimo de conforto para suas famílias. Essa triste realidade, alinhada a um novo ― e incompreensível ― modelo para aposentadoria, tornará nossas sociedades cada vez mais doentes e dependentes de um Estado que não estará a postos para nos ajudar.

Na ponta do lápis, por nenhum aspecto a malfadada Reforma da Previdência que está em discussão será positiva ― exceto para os bancos. A suposta economia de bilhões (alguns chegam a falar em cifras de R$ 1 trilhão) resultará em outros gastos, especialmente na área da Saúde e da Seguridade Social. Tanto no Brasil quanto em outras nações, aqueles que defendem iniciativas semelhantes só o fazem por interesses escusos ou ignorância. Assim como em outras etapas da nossa evolução, em nome do bem geral essas figuras certamente irão parar na lata de lixo da História. No caso de Bolsonaro, que seja um caminho rápido e sem volta.


Marcelino da Rocha

Marcelino da Rocha é presidente da FITMETAL e dirigente nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). Foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região (MG) por quatro mandatos


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