Editorial

A luta não pode parar: apoio da Fitmetal às manifestações

 Para o presidente da Fitmetal, redução da tarifa foi só uma primeira vitória e trabalhadores devem, agora, incluir reivindicações por desenvolvimento econômico com valorização do trabalho


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Publicado em 21 de junho de 2013


Essa quinta-feira (20/06) foi histórica para o país. Após 14 dias de manifestações em que mais de um milhão de pessoas foram às ruas, os governantes de São Paulo e Rio de Janeiro recuaram no dia 19 e cancelaram o aumento das tarifas dos transportes. Os protestos são considerados a maior mobilização desde o “Fora Collor”, em 1992.

Um dia antes, importantes cidades brasileiras – como João Pessoa (PB), Vitória (ES), Blumenau (SC), Natal (RN), Foz do Iguaçu (PR), Recife (PE), Cuiabá (MG), Porto Alegre (RS) e Pelotas (RS) – já haviam reduzido as tarifas em função dos protestos e, depois dessa revogação do aumento das passagens de São Paulo e Rio de Janeiro, diversas outras também anunciaram reduções.

“Se algo ficou claro com essas manifestações é que o povo deve ir para as ruas lutar por seus direitos”, diz Marcelino Rocha, presidente da Fitmetal. “O aumento do preço do transporte, que já é caro e priva diversos cidadãos do direito inalienável de e ir e vir, foi só o estopim para sairmos às ruas, manifestando todas as insatisfações contra a repressão policial e a falta de políticas sociais para a população”.

Essa onda de manifestações, a princípio, foi convocada pelo Movimento Passe Livre (MPL) de São Paulo, contra o recente aumento de 20 centavos na tarifa do transporte, e se espalharam pelo país, juntando diversos partidos políticos, movimentos sociais, sindicatos e coletivos. A popularização das redes sociais, principalmente do Facebook, é apontada como um importante catalisador.

O trabalhador nas manifestações
Marcelino analisa que as pautas levantadas nos protestos são amplas, desde melhorias por educação e saúde até contra a corrupção e projetos de lei, e não podem parar depois do anúncio da redução das tarifas. “A Fitmetal apoia as manifestações pacíficas, sem depredação ao patrimônio público e privado, em que a população levanta sua voz contra os problemas sociais do país. Mas devemos ficar atentos: a grande mídia, que no início era contra o movimento, passou a fazer grandes elogios ao justo movimento com objetivo de desgastar o governo Dilma, que vem promovendo mudanças importantes no país, já que teremos eleições ano que vem e os partidos conservadores e de direita, como oposição, estão hoje muito desgastados” afirma.

Para ele, que acompanhou os protestos em Belo Horizonte, muitas outras demandas estão sendo apresentadas com essas mobilizações populares. “Em Belo Horizonte, por exemplo, temos lutado por mais liberdade, pela valorização do trabalho e contra a legislação inconstitucional de Minas Gerais, o único da Federação que proíbe manifestações, com o risco de multa”, diz.

Para o presidente da Fitmetal, esse é o momento em que os trabalhadores também devem sair às ruas, reivindicando melhorias para a classe, principalmente contra o substitutivo ao Projeto de Lei (PL) 4330/2004, de autoria do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), que propõe a regulamentação da terceirização e está tramitando em fase final na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. “O trabalhador sofre agora investidas pesadas no sentido de precarizar seu trabalho e as manifestações estão abrindo caminho para sairmos a campo, construindo um movimento que pode ser maior que esse. O momento é importante para valorizarmos o trabalhador, principalmente para nós, metalúrgicos, que iniciamos a campanha salarial”.


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