Editorial

Afastamento de Cunha não basta, é preciso condená-lo por seus crimes

Apesar de tardia, decisão do STF em afastar Eduardo Cunha sinaliza que processo de impeachment foi uma farsa e deve ser anulado.


POR Redação

Publicado em 06 de maio de 2016

Deputados ocuparam a mesa da presidência da Câmara após afastamento de Cunha.

Foto de Luis Macedo / Câmara dos Deputados

A FITMetal e diversos setores da sociedade alertam há tempos sobre a necessidade de afastamento de Eduardo Cunha (PMDB) do mandato de deputado federal e do cargo de presidente da Câmara dos Deputados. A decisão liminar do ministro Teori Zavascki no STF (Supremo Tribunal Federal) foi referendada por 11 votos a 0 no plenário da Suprema Corte.

Cunha, que é réu na Operação Lava Jato, foi acusado em dezembro, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), de utilizar seu cargo para obstruir as investigações. Ele também sofre processo disciplinar na Comissão de Ética da Câmara por ter ocultado contas que mantém na Suíça e mentido quanto à existência das mesmas na CPI da Petrobras.

O afastamento de Cunha - que aceitou o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff em retaliação ao apoio do Governo a sua cassação no Conselho de Ética - não basta! É necessário que ele seja julgado o quanto antes pelos crimes que cometeu e, assim, seja evidenciada para a sociedade a sua motivação político-partidária na condução da farsa que foi a votação do impeachment na Câmara.

A Advocacia-Geral da União já sinalizou que irá pedir a anulação do processo de impeachment, pois ficou claro que o deputado-réu, Eduardo Cunha, agiu sob desvio de poder. No entanto, é importante salientar que a demora de 6 meses do STF em aceitar a acusação da PGR pode causar grande prejuízo à democracia caso o golpe vá adiante.

Agora é necessário avançar sobre o conspirador Michel Temer (PMDB), que chegou a dizer, em encontro com religiosos, que “as tarefas difíceis eu entrego à fé do deputado Eduardo Cunha”, mas já demonstrou preocupação no que ele pode revelar em uma futura delação.

Fonte: FITMetal


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