Editorial

Resolução política da 7ª Reunião da Direção Plena da Fitmetal

A Direção Plena da Fitmetal, reunida na cidade de São Paulo, nos dias 13 e 14 de dezembro de 2017, divulga a seguinte resolução política.


POR FITMETAL

Publicado em 14 de dezembro de 2017

Foto de Murilo Tomaz

Intensificar a ação política e aprofundar a relação com nossas bases

1. A Fitmetal encerra o ano de 2017 realizando uma análise realista do atual momento político do país. Após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, o povo sofreu duras derrotas ao longo do último período, com destaque para a limitação dos gastos públicos por 20 anos, a terceirização desenfreada, a reforma trabalhista e a entrega do patrimônio nacional, com a venda do Pré-sal para empresas estrangeiras. Além desses retrocessos, ainda existe o risco de a reforma da Previdência ser aprovada por consequência da pressão do sistema financeiro e pelos conchavos entre o governo ilegítimo de Michel Temer e o Congresso Nacional capitaneado por Rodrigo Maia. 

2. Como aponta o nosso balanço, a Fitmetal esteve ao longo de 2017 na linha de frente das principais lutas travadas pelo movimento sindical. Ao lado da CTB, levantamos nossas bandeiras na histórica greve de 28 de abril, dialogamos com parlamentares, empresários e diversos setores da sociedade a respeito da necessidade de estimular a reindustrialização do país, nos posicionamos com firmeza perante cada iniciativa do governo golpista e estimulamos a unidade de ação da categoria metalúrgica pelo Brasil afora, com resultados extremamente positivos.

3. O resultado concreto dessa busca pela unidade se materializou no movimento Brasil Metalúrgico. Durante o segundo semestre, líderes de organizações como a CNTM (Força Sindical), CNM (CUT), CSB, Conlutas, Intersindical e CGTB, além de federações estaduais e dezenas de sindicatos de bases, deixaram suas diferenças de lado em nome do fortalecimento da categoria metalúrgica e da defesa da indústria nacional. A Fitmetal esteve presente em 100% das reuniões e desempenhou um papel fundamental como mediadora desse espaço de discussão inovador, além de ter compartilhado sua experiência acumulada na análise do processo de desindustrialização em que o Brasil se encontra. É importante que esse movimento se fortaleça em 2018 e seja capaz de ampliar ainda mais sua representatividade.

4. O cenário político deste final de ano nos apresenta uma série de desafios para 2018. O primeiro deles diz respeito aos retrocessos impostos à classe trabalhadora pela reforma trabalhista. O fim da contribuição sindical é apenas um dos elementos que afetarão nossas entidades. Citando apenas três outros exemplos, é preciso que todos nós tenhamos plena consciência do que significa a prevalência do negociado sobre o legislado, bem como os efeitos do esfacelamento da Justiça do Trabalho e o real significado da jornada intermitente para a vida de milhões de brasileiros.

5. Outros desafios residem na agenda que teremos pela frente em 2018, com destaque para as eleições gerais e as discussões necessárias para que o Brasil supere a crise política, econômica e institucional na qual se encontra. A Fitmetal, após a realização do Ciclo de Debates “Indústria e Desenvolvimento” (realizado em parceria com a CTB e o DIEESE em dez estados e com ampla repercussão junto ao movimento sindical, à Academia, parlamentares, governantes e empresários), apresentará uma opinião concreta sobre qual projeto nacional deve ser defendido pela classe trabalhadora. Por meio dessa discussão, nossa Federação não se furtará em defender a eleição de candidatos que tenham real compromisso com os anseios do povo brasileiro e com esse modelo de país.

6. Para enfrentar esse cenário e as adversidades que surgirão em 2018, a Fitmetal entende que é extremamente necessário intensificar a ação política em todas as regiões do país e aprofundar a relação com as nossas bases. O dirigente sindical precisará fortalecer seus canais de diálogo com o chão de fábrica, conhecer as demandas atuais da categoria, procurar encontrar saídas conjuntas para seus dilemas e criar uma relação de proximidade com as novas gerações, em especial com os jovens que entraram no mercado de trabalho durante os tempos de “pleno emprego” e que hoje vivenciam, pela primeira vez, uma crise que coloca em xeque seu futuro profissional.

7. As entidades empresariais, enquanto mentoras da reforma trabalhista e apoiadoras de primeira hora do golpe de 2016, têm plena consciência do que é necessário fazer para ganhar corações e mentes da classe trabalhadora. Cabe a nós, enquanto militantes classistas, disputar todas as instâncias de representação (tais como as CIPAs e as votações para delegados sindicais) que nos permitam realizar o contraponto à ideologia do capital.

8. Cada trabalhador e trabalhadora precisa criar a consciência necessária para compreender o papel fundamental dos sindicatos, especialmente em momentos de crise e de grandes índices de desemprego – períodos nos quais a correlação de forças pode se reverter em grandes retrocessos para a sociedade como um todo. Os metalúrgicos e metalúrgicas, historicamente na vanguarda do movimento sindical e político, devem mais uma vez estar na linha de frente dessa luta.

São Paulo, 14 de dezembro de 2017
Direção Plena da Fitmetal