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“Eleição nos EUA foi trágica como se fosse Bolsonaro contra Serra ou Alckmin”

Francisco Sousa, secretário-geral da UIS MM e secretário de Relações Internacionais da FITMetal, avalia a eleição estadunidense que elegeu Donald Trump.


POR Redação

Publicado em 09 de novembro de 2016

Foto de Reprodução

Na madrugada de hoje, dia 09, Donald Trump foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos. O candidato Republicano venceu Hillary Clinton, dos Democratas.

Para Francisco Sousa, secretário-geral da UIS MM e secretário de Relações Internacionais da FITMetal, as pessoas não entenderam que nos EUA não existiu uma disputa de projetos ligados à ala progressista. Segundo o dirigente, a “eleição nos EUA foi trágica como se fosse Bolsonaro contra Serra ou Alckmin” aqui no Brasil. Sousa observa que somente com Bernie Sanders a eleição teria um debate mais qualificado, porém os Democratas perderam a eleição quando escolheram Hillary Clinton como candidata.

“O medo de Sanders disputar e ganhar no sentido de aprofundar a política de Obama foi maior, então os próprios Democratas escolheram Hillary. Optaram por não reafirmar a política de Obama, mas sim uma política mais radical, de controle e ameaças para o mundo.

Pelo outro lado, Francisco aponta que os Republicanos quiseram descaracterizar o passado ligado ao ex-presidente Bush e garantir “algum alento”.

“Conseguiram êxito com o Trump. Agora temos que esperar os nomes que irão compor o governo e a partir deles saberemos como realmente será a política do novo presidente. O que já é fato é que o discurso antipolítica tem ganhado força, exemplo disso são às últimas eleições no Brasil e agora essa nos EUA. Existe no ar um prospecto de um novo modo de governo pensado para a política do século XXl que é a desfiguração dos políticos tradicionais”, alerta.

Incógnita

Segundo o dirigente sindical, Trump é uma incógnita e terá o poder sem saber, inicialmente, das questões de estado como agente político.

“Pode ser que ele se volte para o próprio país ao invés de fazer guerras. Mas isso ainda depende do partido. Como a linha programática dos Republicanos é mais radical em relação às guerras, não sabemos como isso vai se dar”.

A dúvida sobre a política externa dos Estados Unidos para o próximo ano não se reflete caso Hillary saísse vitoriosa.

“No meu ponto de vista Hillary Clinton, se eleita, poderia intensificar a política externa calcada na guerra. Obama não conseguiu desfazer a linha de estratégia bélica que herdou de Bush. Se ele fizesse isso talvez não tivesse sido reeleito. Mas, de alguma forma, a situação ficou estável. Já Hillary seria muito mais aguda em algumas situações”, aponta.

Trabalho

“As transformações no trabalho se dão independente da vontade dos estados, embora os EUA sejam uma potência. Como o Trump é mais um empreendedor do que um gestor, ele pode criar novidades, tentar atrair investimentos, não que isso vá beneficiar os trabalhadores diretamente”, avalia.

Francisco Sousa, dirigente da FITMetal

Foto de Reprodução