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Resolução Política da 5ª Reunião de Direção Plena da Fitmetal


POR Redação

Publicado em 24 de novembro de 2016

Foto de Fitmetal

A Fitmetal divulga, como resultado de sua 5ª Reunião de Direção Plena, realizada na cidade de São Paulo, nos dias 23 e 24 de novembro de 2016, a seguinte resolução:

1. A Fitmetal encerra de modo positivo o seu primeiro ano na condição de entidade legalizada. Novos sindicatos se filiaram, sua estrutura foi otimizada e, no decorrer de 2016, seus principais dirigentes puderam dialogar de modo mais próximo com as bases pelo Brasil afora.

2. O ano de 2016, no entanto, será lembrado como um período no qual a democracia brasileira foi novamente atacada. Com a imposição do governo golpista de Michel Temer, já está claro que as forças conservadoras trouxeram a agenda neoliberal de volta ao país, de forma ágil e radical, como forma de se contrapor aos avanços sociais e trabalhistas obtidos nas gestões Lula e Dilma. As dificuldades encontradas nas Campanhas Salariais deste ano são reflexo deste novo momento.

3. É notório observar que o avanço conservador não se dá apenas no Brasil. A eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, de Macri na Argentina, a tentativa de desestabilização política na Venezuela e o fortalecimento de grupos de extrema-direita na Europa são uma consequência da crise econômica que assola o mundo desde 2008, com resultados benéficos para os que vivem do rentismo, em detrimento dos empregos e das conquistas sociais da classe trabalhadora de todo o planeta.

4. Os cenários nacional e internacional exigem do sindicalismo classista uma postura aguerrida e bem planejada diante dos desafios que estão colocados. Após seis meses de governo golpista, a economia segue estagnada e o nível de desemprego prossegue em fase ascendente. A despeito disso, o consórcio formado pela união entre setores do empresariado, da mídia hegemônica, de parte do Poder Judiciário e da maioria do Parlamento têm dado a Temer e seu grupo político a sustentação necessária para executar as tarefas que lhes foram encomendas, pela ordem: a PEC 241/55, a reforma do Ensino Médio (brilhantemente combatida pelas ocupações dos estudantes em todo o país), a reforma política, a reforma da Previdência e a reforma Trabalhista. Somadas, tais medidas rasgam a Constituição, por meio de um claro ambiente de Estado de exceção no país.

5. Permanecem secundarizadas, em nível nacional, as discussões que realmente podem levar o Brasil a superar a atual crise. O projeto de desenvolvimento outrora debatido não faz parte da pauta de prioridades hoje colocada. Da mesma forma, os retrocessos causados pela desindustrialização não serão encarados de frente pelo governo golpista e seus apoiadores. Sem esse debate, continuará sobre os ombros da classe trabalhadora a responsabilidade de pagar a conta por uma crise que ela não criou.

6. Diante desse cenário, o papel da Fitmetal para o ano de 2017 deve ser o de manter a resistência do movimento sindical perante as dificuldades que surgirão a curto prazo, atuando no interior do Fórum das Centrais, da Frente Brasil Popular e da Frente Povo sem Medo. É preciso que nossas bandeiras de luta ganhem visibilidade e que nossa articulação em nível nacional se amplie, com vistas a nortear politicamente cada um de nossos sindicatos filiados, fortalecendo cada vez mais de suas bases.

7. Reafirmamos a luta pela democracia, a defesa da soberania nacional e continuaremos a adotar o grito de “Fora Temer”. Mas cabe à Fitmetal propor uma estratégia de resistência mais ampla, posicionando-se como uma entidade propositiva em relação às demandas do setor produtivo do país, buscando a unidade de ação com outras forças políticas, em nome da retomada do crescimento, da criação de novos empregos e do projeto de desenvolvimento necessário para o Brasil.

São Paulo, 24 de novembro de 2016
Direção Plena da Fitmetal