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Para Assis Melo, governo quer apressar ‘reformas’ antes que a sociedade reaja

O dirigente da Fitmetal e deputado federal Assis Melo (PCdoB/RS) fala sobre as ‘reformas’ que o governo Temer tenta impor aos trabalhadores e como a sociedade e movimento sindical deve se preparar para barrar estes retrocessos.


POR Murilo Tomaz - Fitmetal

Publicado em 24 de fevereiro de 2017

Foto de Reprodução

O governo Temer age para aprovar no Congresso duas grandes propostas de ‘reforma’: Trabalhista e da Previdência. Como aponta o dirigente da Fitmetal e deputado federal Assis Melo (PCdoB/RS), o governo tem pressa na aprovação das propostas, pois “quanto mais o governo demora para votar, mais tempo as entidades terão para poder discutir com os trabalhadores e alertar a sociedade”. Confira a entrevista com o deputado em que ele fala sobre a agenda contra os trabalhadores que tramita no Congresso Nacional neste início de ano:

Fitmetal: Apesar de o ministro do Trabalho vender a ideia de que procura o diálogo com o movimento sindical - que pretende debater com maior profundidade a ‘reforma’ Trabalhista (PL6787/2016) -, o governo e o Congresso querem aprová-la ainda no primeiro semestre. O governo quer dar um ar democrático ao Projeto, dizendo que dialoga com os trabalhadores, mas no fundo pretende não mexer no seu teor?
Assis Melo - Esse governo não tem nada de democrático. A reforma é uma imposição. Não existe caráter democrático nesse governo exatamente porque ele veio de um golpe. O caráter da ‘reforma’ Trabalhista é recessivo, de retirada de direitos dos trabalhadores para impor uma condição mais difícil no trabalho e depois para a aposentadoria. O ministro realiza uma relação política, mas na prática o conteúdo do PL é no sentido de impor a vontade de um governo sem legitimidade.

Fitmetal: A ‘reforma’ da Previdência (PEC 287), da maneira que está colocada, é um grande retrocesso aos trabalhadores e trabalhadoras. Diversas entidades estão alertando a população quanto a isso e o governo já se incomodou. Deputados favoráveis à reforma querem acionar a Justiça para que a Anfip pare de divulgar os malefícios da PEC. A população já começou a se dar conta que essa PEC é mais um ato do Golpe?
A M - Ainda está longe de termos uma mobilização do tamanho da necessidade que se impõe para podermos resistir a essa ofensiva. Não há ainda um movimento no sentido de barrarmos essa PEC. É claro que isso tudo é um processo de construção. Por isso o governo tem pressa em aprovar o mais rápido possível a reforma, pois quanto mais o governo demora para votar, mais tempo as entidades terão para poder discutir com os trabalhadores e alertar a sociedade. Essa Proposta só pode ser barrada nas ruas. As pessoas precisam entender que o governo tem ampla maioria no Congresso. Somente vamos barrar a PEC se tivermos mobilização dos trabalhadores, da sociedade como um todo, para fazer pressão em cima dos deputados.

Fitmetal: Nesse primeiro mês, no seu retorno à Câmara, o que já foi possível realizar? Quais são os planos para os próximos meses?
A M - Nesse momento estou centrado nestas questões da ‘reforma’ da Previdência e Trabalhista, mas ao mesmo tempo sem tirar a atenção das pautas sobre desenvolvimento, geração de emprego, a discussão sobre o conteúdo nacional que este governo vem cada vez mais restringindo.

Fitmetal: Dados apontam que mesmo com a queda dos juros e da inflação o mercado e a indústria não têm reagido. Quais atitudes devem ser tomadas para que o país não se afunde cada vez mais em desemprego e na recessão?
A M - A economia não avança, vivemos em uma recessão cada vez maior, então que inflação vai ter? Não vai ter inflação nenhuma! Por isso pode-se reduzir os juros. Então não existe a relação de uma tentativa econômica em procurar um processo de redução de juros e incentivo à produção. Não existe essa vontade por parte do governo. Eles fazem isso mais por inércia do que propriamente por uma visão econômica que pretende reduzir juros, controlar câmbio. Definitivamente não existe isso!

Fitmetal: É possível a construção de uma greve geral ainda este semestre?
A M - Precisamos sempre acreditar na luta dos trabalhadores. Os trabalhadores nunca conseguiram nada sem mobilização e luta. Sempre digo que nós trabalhadores precisamos de três coisas: organização, unidade e luta. Essa prerrogativa é a necessária hoje. Vamos lutar para resistir. No caso, não é nem ganhar, vamos lutar nesse momento para não perder. Temos que fazer um grande movimento e partir dele construir a Greve Geral. A greve não se decreta, ela se constrói, pois é um processo de acumulação de forças e compreensão dos trabalhadores. Acho que as entidades devem trabalhar nesse sentido para poder construir uma greve geral, com uma grande mobilização para o 1º de maio, devemos agir com essa perspectiva.

Fitmetal: De que maneira a sua experiência de líder sindical metalúrgico pode fazer a diferença em Brasília nesse período tão turbulento que o país passa?
A M – Não será somente um segmento ou outro que será lesado. O conjunto dos trabalhadores será prejudicado com essas questões. Aqueles que trabalham em condições insalubres é claro que sofrerão mais, porque não terão aposentadoria especial. Não só os trabalhadores metalúrgicos, mas também os trabalhadores da agricultura, os professores. Assim, precisamos unir todos os setores para fazer realmente uma grande pressão e barrar estas propostas.

Fitmetal: Como a Fitmetal e os metalúrgicos e metalúrgicas do Brasil podem auxiliar nesse processo de disputa no Congresso?
A M - Unir os trabalhadores na maior amplitude possível, se posicionando frente a isso e, na medida do possível, esclarecer o conjunto da sociedade. Esse é o papel das entidades sindicais e a Fitmetal, como tem esse papel de ser uma entidade nacional, deve jogar esse papel nacionalmente, claro, mais vinculado aos metalúrgicos, mas sem deixar de articular com outros segmentos e entidades.