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Dirigente da Fitmetal diz que “foi dada a largada do negociado sobre o legislado” na GM São Caetano

Na opinião de Marcelo Toledo, secretário de Formação da Fitmetal e membro da Oposição Metalúrgica em São Caetano do Sul, a empresa se aproveita que o sindicato não luta pelos trabalhadores e tenta mexer nos direitos do acordo coletivo.


POR Murilo Tomaz - Fitmetal

Publicado em 16 de março de 2017

Foto de Divulgação

Em São Caetano do Sul (SP), o sindicado dos metalúrgicos local (ligado à Força Sindical) realizou assembleia no mês passado (21/03), para rever a Convenção Coletiva de Trabalho dos trabalhadores da General Motors (GM). A empresa condiciona novos investimentos e até mesmo a continuidade da planta à flexibilização de direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores. No entanto, a GM anunciou em 2015 que investirá 13 bilhões de reais no país até 2019, o que se contrapõe a um cenário de fechamentos de fábricas.

Na opinião de Marcelo Toledo, secretário de Formação da Fitmetal e membro da Oposição Metalúrgica em São Caetano do Sul, a empresa se aproveita que o sindicato não luta pelos trabalhadores e tenta mexer nos direitos do acordo coletivo. Entre as questões que a GM quer rever está a diminuição de valor da hora extra e adicional noturno, além de não repassar o aumento salarial no holerite, mas sim transformá-lo em abono. O dirigente também aponta que a empresa se aproveita para pressionar os trabalhadores contra a cláusula 42, que dá estabilidade no emprego ao trabalhador ou trabalhadora que adquire sequela profissional, aquela oriunda do trabalho repetitivo ou fruto de acidentes.

“A GM tem demitido, nos últimos anos, trabalhadores com sequela profissional, porém uma boa parcela retorna quando vai para a Justiça, o que deixa a empresa muito incomodada. Nós da Oposição Metalúrgica que já ganhamos a eleição por três vezes, mas não levamos por causa da violência deles no processo eleitoral, sempre nos apoiamos nesses companheiros que tem estabilidade no emprego para fazer a nossa luta, pois é a única maneira. Então, nesse sentido, a empresa fez o movimento alicerçado no apoio do sindicato que a ajudou para que os trabalhadores se sintam pressionados a aprovarem a flexibilização em troca de investimento”, comenta.

Mas, segundo Toledo, tanto a empresa quanto o sindicato mentem aos trabalhadores ao dizer que se não flexibilizarem os direitos a fábrica corre o risco de ter uma vida útil de somente três anos. “É uma mentira porque esse investimento já estava decidido e vai até 2019. Eles deram 30 dias de férias para toda a fábrica e essas férias não foram em função de crise econômica ou dificuldade nas vendas. As férias aconteceram porque eles estão mudando o processo produtivo, estão investindo em processo automatizado que irá criar mais demissões na fábrica”, alerta.

Assembleia

Para Toledo, a assembleia convocada pelo sindicato no dia 21 de fevereiro foi “nebulosa”, pois foi realizada com base no medo e na pressão sobre os trabalhadores. “A GM, contrariando o que diz a Constituição, fez pressão dentro da fábrica a ponto de reunir trabalhadores individualmente, dizendo que se não aprovassem as medidas de flexibilização dos direitos do acordo coletivo ninguém teria nenhuma segurança e a fábrica poderia fechar. O sindicato também mentiu e reforçou isso na assembleia, ameaçando os trabalhadores ao dizer que a empresa pode fechar, que a GM já fechou 20 plantas no Estados Unidos, no Canadá etc, ou seja, induzido os trabalhadores a flexibilizarem seus direitos”, crítica.

De acordo com o dirigente, a GM já demitiu mais de 2.500 trabalhadores desde 2013 e o sindicato não fez nada para reverter o quadro. Para ele, a lei que proíbe as empresas de se meterem na organização sindical foi violada e contou com o apoio do sindicato e da Força Sindical. “Foi dada a largada no processo em que prevalece o negociado sobre o legislado. O que acontece na GM mostra o poder dos empresários aliado a sindicatos pelegos e sem representatividade”, completa Toledo.