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Sem acordo para layoff, GM de São José dos Campos força folga de trabalhadores

3 mil trabalhadores da planta terão período de folga conhecido como ‘dayoff’.


POR Murilo Tomaz - Fitmetal

Publicado em 03 de maio de 2017

Foto de Pedro Ivo

A planta da General Motors (GM) de São José dos Campos (SP), após não conseguir aprovar novo layoff para a fábrica em audiência mediada na Justiça, irá forçar três mil funcionários a folgarem entre 9 e 13 de maio. A medida, conhecida como ‘dayoff’, é para ajustar a mão de obra à demanda, segundo a montadora.

Com base no cronograma divulgado, entre 9 e 12 de maio ficarão de folga o primeiro e o segundo turno da estamparia, injetoras e CCM. Entre 10 e 13, entram em folga o terceiro turno da S-10, estamparia, injetoras e CCM.

Reprodução: Aviso aos funcionários da GM

A GM tenta a todo custo implantar novo layoff na planta e ameaça 1,6 mil trabalhadores caso a medida não seja adotada. O número é referente a quantidade de trabalhadores que a empresa diz ser excedente.

Segundo Luís Fabiano, membro da diretoria plena da Fitmetal e funcionário da GM de São José dos Campos, o trabalhador da fábrica passa, novamente, por uma situação tensa devido ao impasse nas audiências.

“Essa discussão já vem se arrastando desde o meio de abril e até agora não teve nenhuma definição. O trabalhador está preocupado porque o TRT marcou a reunião para o dia 9, mas no dia 8 irá se votar a reforma Trabalhista. Não sei se houve uma combinação prévia para deixar essa discussão para depois da votação da reforma”, alerta.

O dirigente também critica a falta de informação do sindicato após as reuniões com a empresa. “Vemos tudo isso com muita tensão e mais uma vez o sindicato deixa a desejar. A empresa, nesse imbróglio todo, já está demitindo. Demitem pelo menos dois ou três trabalhadores por semana. No dia de hoje já demitiu mais um. Por isso, enquanto tiver essa enrolação, a empresa vai continuar demitindo e nenhuma atitude está sendo tomada pelos representantes do sindicato”, crítica.

Em defesa dos trabalhadores, Luís aponta que os membros que fazem Oposição ao sindicato atualmente se dedicam à montagem de uma Associação sem vínculos partidário e de centrais sindicais. Eles têm prestado apoio especialmente aos trabalhadores lesionados, que gozam de estabilidade, mas estão, contra o que prega a Lei, na mira da GM.

“Estamos no apoio, porque os trabalhadores lesionados estão se sentindo abandonados, principalmente porque a GM deixou claro que vai colocar para fora estes trabalhadores com o layoff. Muitos já têm estabilidade e não poderiam sair em um possível layoff, pois teriam perdas salarias e a lei é contrária a estas perdas”, explica.

GM contra trabalhadores

Situação similar acontece em outras plantas da GM. Como denuncia Marcelo Toledo, secretário de Formação da Fitmetal e membro da Oposição Metalúrgica CTB, em São Caetano do Sul, a empresa quer reestruturar o parque industrial e se aproveita de uma suposta da crise como justificativa, porém a GM bate recordes de produção e lucro há muitos anos. “Há três anos a GM (General Motors) está batendo recorde de vendas. Está faltando força de trabalho no processo produtivo. Isso sobrecarrega e lesiona o trabalhador”, diz.

Informações: G1 Vale do Paraíba e Região


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