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"Campanha salarial é oportunidade para lutarmos, unidos, por nossos direitos", diz Todson

Em entrevista, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Carlos Barbosa (RS), Todson Andrade, fala sobre a luta dos trabalhadores na Campanha Salarial 2017.


POR Redação

Publicado em 14 de agosto de 2017

Foto de Sindicato dos Metalúrgicos de Carlos Barbosa

O Sindicato dos Metalúrgicos de Carlos Barbosa, filiado à Fitmetal, está em plena campanha salarial em meio a um grande desafio: lutar por um reajuste que reponha as perdas acumuladas no último período em um cenário de crise em âmbito nacional, mas com a indústria metalúrgica local em crescimento. Ao mesmo tempo, o Sindicato busca garantir, por meio de uma ampla pauta social com mais de 70 itens, direitos postos em risco com a nova legislação trabalhista que passa a vigorar em novembro.

O Sindicato também está inserido em um amplo debate nacional em busca de soluções que garantam a retomada do desenvolvimento com valorização da produção e do trabalho. Sobre estas questões, confira a entrevista com o presidente do Sindicato, Todson Andrade.

Qual será a tônica da campanha salarial deste ano?

Temos dois focos. O primeiro é lutar por um reajuste que reponha as perdas que os metalúrgicos tiveram no último período resultantes de dois pontos principais: a rotatividade nas empresas, que acabou por impor uma perda de, em média, 27% na massa salarial dos metalúrgicos, e a inflação real, que é bem maior do que a anunciada pelo governo. O custo de vida está alto e percebemos isso todos os dias quando vamos ao mercado, ao posto de gasolina, quando precisamos comprar remédios. Por isso, estamos reivindicando um reajuste de 7%.

O segundo ponto é garantir uma pauta social que enfrente as perdas impostas pela reforma trabalhista e melhore nossas condições de trabalho e salário. Neste sentido, estamos lutando, por exemplo, para que o piso inicial da categoria seja de 1.665 reais, por auxílio creche para crianças com até seis anos, para impedir que grávidas ou lactantes trabalhem em local insalubre, por um triênio de 3% sobre o valor do salário-base, pela não redução no intervalo de almoço ou jantar, contra a terceirização na atividade principal da empresa e contra o trabalho intermitente. A campanha salarial deste ano é oportunidade para lutarmos, unidos, por nossos direitos.

Este índice de 7% é viável no cenário de crise nacional?

Sim, totalmente. Apesar de o país estar em crise, as empresas metalúrgicas de Carlos Barbosa vão muito bem. A principal delas, o Grupo Tramontina, que emprega 80% dos metalúrgicos, já anunciou que espera crescer 12% neste ano. E esta meta vem sendo atingida. Os trabalhadores metalúrgicos são diretamente responsáveis por esse desempenho e merecem ser valorizados.

Além disso, é importante lembrar que a categoria representa cerca de 1/5 da população de Barbosa e em 2016, seus salários injetaram 200 milhões de reais na economia local, ou seja, seu consumo e a arrecadação de seus impostos têm impacto muito positivo na economia local. Portanto, aumentar o salário ajuda não apenas a categoria, mas toda a cidade, o comércio, os serviços, o poder público e a própria indústria metalúrgica.

Qual o papel dos sindicatos no cenário atual, com a aprovação da reforma trabalhista e a tramitação da previdenciária?

Muita gente não sabe, mas a conquista de todos os direitos trabalhistas só foi possível porque os trabalhadores se uniram, criaram seus sindicatos e lutaram. A reforma trabalhista rasgou a CLT, acabou com direitos conquistados por gerações de trabalhadores, e isso vai ter um alto custo para o país porque trabalhadores com menos direitos, jornadas maiores e salários menores significa uma população mais doente — aumentando os custos em saúde — e mais empobrecida — que passa a consumir menos e a contribuir menos com a economia. Para piorar, se a reforma da Previdência for aprovada, o povo terá de trabalhar praticamente até a morte.

Num cenário grave como este, os sindicatos passam a ter ainda mais importância. Seu papel é unificar os trabalhadores na luta para reverter essas perdas, impedir outras e garantir novas conquistas. E os metalúrgicos de Carlos Barbosa precisam apoiar ainda mais a entidade. Não é o patrão ou o governo que “dá" direitos; é o trabalhador organizado que consegue conquistar avanços.

O que os sindicalistas da área metalúrgica estão fazendo para superar este cenário?

Recentemente, participamos de uma reunião em São Paulo com lideranças sindicais do setor de diversos estados, ligados a várias centrais e tendências políticas, um passo importante para construirmos uma reação. Haverá um dia Dia Nacional de Lutas no dia 14 setembro, seminários e plenárias para ajudar na mobilização. Ao mesmo tempo, estamos apoiando a luta da CTB pela valorização da indústria nacional. Porque não somos contra os empresários, pelo contrário: queremos que haja desenvolvimento do setor para que haja geração de emprego e renda e redução das desigualdades. Mas, queremos ter nossos direitos respeitados. Para isso, precisamos da união de nossa categoria, em Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul e em todo país. Se não reagirmos de maneira forte e ampla, as perdas serão ainda maiores, comprometendo nosso futuro, o de nossos filhos e todo nosso país.

Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos de Carlos Barbosa