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Venda de veículos sobe 17,75%; montadoras já falam em contratações

Em agosto, a venda de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus registrou teve o melhor resultado de 2017, com 216.534 veículos emplacados. Houve destaque na venda de ônibus (30,41%), implementos rodoviários (23,08%) e carros (21,43%).


POR Redação, com agências

Publicado em 01 de setembro de 2017

Foto de "Valor Econômico"

Ao divulgar novos dados sobre a economia brasileira nesta sexta-feira (1/9), o IBGE ressaltou que a indústria de transformação já acumula 13 trimestres seguidos de quedas. Entre o segundo trimestre deste ano e segundo trimestre de 2016, por exemplo, o setor recuou 1%.

Uma das poucas exceções é o segmento de veículos automotores. A venda de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos cresceu 17,75% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2016. Foram emplacados 216.534 veículos, ante 183.887 em agosto do ano passado.

O resultado é o melhor já registrado em 2017. Até então, o melhor mês para o comércio de veículos havia sido maio, quando foram emplacados 195.558 veículos. As 216.534 unidades de agosto representam alta de 10,72%. No acumulado de 2017, as vendas apresentam alta de 5,33%, com 1,42 milhão de unidades, ante 1,34 milhão do período janeiro-agosto do ano passado.

Todos os números foram divulgados pela Fenabrave, a associação das concessionárias. De acordo com a entidade, apenas a venda de motos e de comerciais leves está na contramão dessa tendência. Os demais segmentos apresentaram alta nas vendas, com destaque para ônibus (30,41%), implementos rodoviários (23,08%) e carros (21,43%)

Em contrapartida, foram emplacadas 76.357 motos em agosto deste ano, contra 80.362 em agosto de 2016 – uma queda de 4,98%. No acumulado do ano, a queda é ainda maior, de 18,77%. Entre janeiro e agosto, foram vendidas 573.978 motocicletas, contra 706.597 no mesmo período de 2016. Já a venda de comerciais leves registrou queda de 0,47% em agosto, na comparação com o ano passado.

Entre as marcas e os modelos mais populares, não há novidades em agosto. A Chevrolet continua sendo a líder de mercado, com participação de 17,94% no acumulado. A Fiat vem em seguida, com 13,69%, e a Volkswagen completa o "pódio", com 12,60%. Em seguida, aparecem Hyundai (9,45%), Ford (9,28%), Toyota (8,91%), Renault (7,41%), Honda (6,29%), Jeep (4,10%) e Nissan (3,34%).
O Onix continua, com sobras, sendo o carro mais vendido do país. Em agosto, foram vendidas 18.513 unidades do hatch compacto. No acumulado do ano, ele já figura com 116.982 exemplares. O segundo carro mais vendido em agosto foi o Hyundai HB20, com 10.377 veículos. Ele também é o vice-líder no ano, com pouco mais de 70 mil unidades. Por fim, o Ford Ka foi o terceiro colocado, com 7.631 unidades em agosto e 59.529 no total.

A posição das montadoras

Com a recuperação da atividade, a indústria automobilística já fala em abandonar programas de redução de jornada e afastamento de pessoal para ajustar-se a um novo cenário. Até o fim do ano, a fábrica da Volkswagen no ABC paulista vai funcionar 24 horas por dia, passando, gradativamente, de um para três turnos de produção. A MAN, fabricante de caminhões, já estuda novas contratações.

A recuperação do setor é sustentada pelo aumento no consumo das famílias e, ainda mais, pelo resultado expressivo nas exportações – que tendem a crescer 35% este ano. Além disso, para os executivos da indústria, a safra de lançamentos de novos modelos também estimulou a o aumento de vendas de carros zero-quilômetro. A soma desses fatores permite a suspensão de folgas às sextas-feiras, a volta dos trabalhadores afastados e até contratações – algo que não se via nessa indústria desde 2013.

Com a recuperação da atividade, a indústria automobilística já fala em abandonar programas de redução de jornada e afastamento de pessoal. A soma dos fatores positivos pode levar até a contratações – algo que não se vê no setor desde 2013.

Segundo a FITMETAL (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil), a categoria metalúrgica perdeu 544 mil empregos formais nos últimos quatro anos. De 2002 a 2013, o emprego metalúrgico no País cresceu 80% – de 1,35 milhão de trabalhadores formais para 2,44 milhões. Nos dias de hoje, após um quadriênio de mais demissões do que contratações no setor, o Brasil dispõe de 1,9 milhão de metalúrgicos com carteira assinada.

Mas os números sinalizam uma retomada. Há um ano, mais de 25 mil trabalhadores de montadoras estavam em programas de "layoff" (suspensão temporária do trabalho) ou no PSE (Programa Seguro-Emprego), que permitia reduzir a jornada em até 30%. O total caiu para 12 mil em julho passado e tende a ser ainda menor em agosto.

Mudanças

Além da preparação para os três turnos em São Bernardo, recentemente a Volks também anunciou o fim da jornada reduzida em Taubaté (SP). "As perspectivas estão de fato melhores. Nossas expectativas para 2017 são de aumento de mais de 20% em nossa produção e de crescimento de 50% nas exportações", afirma o presidente da Volks na América do Sul, David Powels.

Nas próximas semanas, a fábrica da Volks no ABC passará de um para dois turnos e entre novembro e dezembro começará a terceira turma, algo que não acontecia desde meados de 2015. A unidade receberá investimento de R$ 2,6 bilhões para produzir o novo Polo e o sedã Virtus.

Na Renault, o lançamento de um novo modelo, o Kwid, também levou à necessidade do terceiro turno. Em abril, foram contratados 700 trabalhadores. Agora, 600 vagas foram abertas para a fábrica de São José dos Pinhais (PR) funcionar 24 horas por dia.

A MAN – que operava só quatro dias por semana desde o ano passado – suspendeu a folga de sexta-feira e chamou de volta 70 empregados que estavam em "layoff". O presidente da companhia, Roberto Cortes, já estuda novas contratações.

"Estou entusiasmado, mas com embasamento para isso", afirma o executivo, que nesta semana fechou o maior contrato do ano, com a venda der 400 caminhões para a Ambev. Segundo ele, os frotistas perceberam que, se quiserem preservar seus modelos de negócios, precisam começar a renovar as frotas para acompanhar a retomada da atividade – a qual, diz, descolou-se da crise política.

A percepção refletiu-se no aumento crescente das vendas de caminhões e ônibus, que saíram da média de 154 por dia no início do ano para 231 em maio, 275 em julho e 285 em agosto. "A indústria de caminhões é um termômetro da economia”, compara Cortes. “Se estamos crescendo é porque o PIB também vai crescer.”