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Setor de autopeças volta a contratar e pode crescer 20% em 2017

Segundo o Sindipeças, a taxa de ociosidade das empresas começa a cair


POR Redação, com informações do

Publicado em 13 de setembro de 2017

Fabricantes de autopeças devem investir US$ 2,5 bi em 2018

Foto de Divulgação

Depois de três anos de quedas no faturamento, nível de emprego e investimento, a indústria de autopeças começa a respirar, embalada pelo aumento nas vendas de veículos nos mercados interno e externo e por suas próprias exportações. Nos próximos dias, o Sindipeças (sindicato que representa os empresários do setor) vai rever a projeção que inicialmente indicava crescimento de 10% na produção de veículos neste ano.

"Essa previsão está muito defasada. Devemos chegar em 20%", afirma o presidente da entidade, Dan Ioschpe. Até o primeiro quadrimestre, o volume de encomendas das montadoras refletia o aumento das exportações de veículos. "Desde maio, começamos a detectar uma melhora proveniente do mercado interno. Temos agora duas frentes de demanda", destaca.

A constatação de que a recuperação de fato chegou já levou essa indústria a reabrir postos de trabalho. Depois de sucessivos meses de retração, houve aumento no nível de emprego de 0,59% em maio e de 0,29% em junho, em relação aos meses anteriores, segundo os últimos dados disponíveis.

Há um ano, as autopeças operavam com ociosidade de mais de 50%. Esse semestre começou com 34% – e a tendência é diminuir. Somente em julho, a receita com exportações do setor (US$ 638,3 milhões) ficou 17,2% acima do total do mesmo mês em 2016. Na primeira metade do ano, a participação das montadoras nas entregas do setor subiu de 58% para 62%.

Na véspera de o governo lançar uma nova política industrial para o setor, o Rota 2030, dirigentes do setor de autopeças se mostram animados. Para Luis Pasquotto, presidente da Cummins (fabricante de motores pesados), o programa que expira este ano, o Inovar-Auto, beneficiou mais as montadoras ao desestimular a entrada de carros importados. Segundo ele, pesquisa com os associados do Sindipeças mostrou que, para dois terços deles, o Inovar-Auto foi negativo ou indiferente.

"Nosso setor vive um momento de rupturas, com um futuro desafiador. Os novos usos de um veículo – que passa a ser não próprio ou compartilhado – já são suficientes para virar nosso setor de cabeça para baixo”, diz Dan Ioschpe, do Sindipeças

Com o novo programa, fabricantes de autopeças se preparam para investir mais. Para 2018, o Sindipeças projeta investimentos de US$ 2,5 bilhões, o que significa voltar aos níveis de 2014 e quase dobrar o volume de 2016, que ficou em US$ 1,5 bilhão.

Segundo Ioschpe, a ideia do Rota 2030 é ampliar a participação das empresas em ferramentas já existentes. Exemplo disso é que recursos do governo podem ajudar a criar grupos nos quais as empresas maiores orientam as menores em temas como gestão e, principalmente, a necessidade de avançar em pesquisa e desenvolvimento para adequar-se às mudanças nos automóveis.

"Nosso setor vive um momento de rupturas, com um futuro desafiador. Os novos usos de um veículo – que passa a ser não próprio ou compartilhado – já são suficientes para virar nosso setor de cabeça para baixo”, diz Ioschpe. “Há 12 meses não imaginávamos que o desenvolvimento do carro elétrico seria tão rápido. Mas tudo mudou quando a China, maior mercado do mundo, estabeleceu metas agressivas para o uso dessa fonte de energia. Isso pressiona os europeus."

Em sua opinião, o novo programa setorial e o acordo entre Mercosul e União Europeia darão ao País a chance de buscar mais competitividade. "Poderemos diminuir a distância entre os carros vendidos aqui e no resto do mundo."