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Na crise, desemprego cresceu mais para negros

Taxa de desemprego entre os negros na região metropolitana de São Paulo cresceu de 14,9% para 19,4% em 2016 em relação ao ano anterior, enquanto entre os não-negros a taxa foi de 12% para 15,2%


POR RBA

Publicado em 16 de novembro de 2017

Foto de Reprodução

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo, crescente em 2016, foi ainda maior para trabalhadores negros, segundo a Fundação Seade e o Dieese. Enquanto a dos não-negros passou de 12%, no ano anterior, para 15,2%, a dos negros subiu de 14,9% para 19,4%. Assim, a diferença entre os dois grupos passou de 2,9 para 4,2 pontos percentuais – em 2014, antes da crise, era de 1,9 ponto, com taxas de 10,1% e 12%, respectivamente.

A pesquisa também mostra que o desemprego é ainda maior entre as mulheres negras, cuja taxa passou de 16,3% para 20,9%. A dos homens negros é de 18%, ante 13,7% em 2015.

Com redução total de 4% no número de ocupados na região metropolitana, a participação dos negros foi mais atingida: eles eram 40% dos ocupados em 2015 e passaram a representar 38,3% no ano passado.

Os negros têm maior participação em ocupações de menor remuneração, como a construção civil e os serviços domésticos, além do trabalho autônomo. De acordo com a pesquisa, os ocupados negros recebiam em 2016 rendimentos equivalentes a 67,8% dos trabalhadores não-negros, com média de rendimento de R$ 9,10 e R$ 13,41, respectivamente.

Essa diferença se constata em todos os setores de atividade. Na indústria, por exemplo, os não-negros recebem, em média, R$ 2.454, enquanto os negros ganham R$ 1.779. Nos serviços, os rendimentos, em valores de julho, correspondem a R$ 2.393 e R$ 1.588.

Quanto maior a escolaridade, maior é a diferença de rendimento, apontam Seade e Dieese. "No que diz respeito à população negra, as políticas públicas de acesso à educação, especialmente no ensino superior público, e as políticas de combate à discriminação racial foram importantes avanços na tentativa de redução das desigualdades entre negros e não negros", afirmam as instituições. "Algumas delas, no entanto, ainda persistem, sobretudo nos níveis mais altos de escolaridade."

Em 2016, o tempo médio de estudo dos ocupados com 25 anos ou mais na Grande São Paulo era de 10,2 anos, sendo de 9,2 anos para os negros e de 18,8 para os não-negros. Uma diferença que vem caindo: entre 2000 e 2016, o tempo médio dos negros aumentou em três anos e dos não-negros, em 1,7.