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Previdência: Trabalhadores prometem greve se reforma avançar

Desde a semana passada, o Planalto tem investido em campanha publicitária na televisão para convencer a população da necessidade da reforma da Previdência.


POR Railídia Carvalho - Portal Vermelho

Publicado em 23 de novembro de 2017

Foto de Reprodução

A pressão do governo de Michel Temer para votar no início de dezembro a reforma da Previdência Social poderá desencadear uma greve entre os trabalhadores, afirmaram os dirigentes metalúrgicos Marcelino da Rocha, da FITMETAL, e Miguel Torres, presidente do sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

“Parece que o saco de maldades do governo Temer não tem fim. A reforma da previdência seria a cereja do bolo dessa reforma que vai prejudicar os trabalhadores que vão ingressar no mercado, os que estão no mercado e os já aposentados”, declarou Marcelino. A deflagração de uma greve e a pressão do governo pela aprovação da reforma da Previdência Social são pautas de reunião marcada pelo movimento Brasil Metalúrgico para a quinta-feira (30). Nesta sexta-feira (24), as centrais sindicais também se reunirão para debater o tema.

Desde a semana passada, o Planalto tem investido em campanha publicitária na televisão para convencer a população da necessidade da reforma da Previdência. Pesquisa Data Folha divulgada em maio deste ano apontou que 71% dos entrevistados rejeitam a reforma da Previdência, percentual que sobe para 73% quando as entrevistadas são mulheres e para 76% entre os jovens.

Marcelino afirmou que o caminho para os trabalhadores é realizar um dezembro de resistência com a deflagração de uma greve, caso a reforma seja colocada em plenário. “Construir uma grande possibilidade de reação este ano na luta contra a reforma da previdência nos colocará em outro patamar de resistência para o ano que vem em um processo de conscientização mais forte”, ressaltou.

“Os metalúrgicos estão preparados para fazer uma greve. Sabemos das dimensões que o Brasil tem mas não dá para admitir que mais essa reforma venha prejudicar o trabalhador para agradar ao mercado”, afirmou Miguel Torres. De acordo com ele o Brasil Metalúrgico vai intensificar a mobilização da categoria fortalecendo a posição das centrais sindicais. A movimentação dos metalúrgicos inclui dirigentes de todas as centrais sindicais brasileiras.

Além dos metalúrgicos, a FITMETAL realizou nesta manhã contato com trabalhadores do setor químico, construção civil, eletricitários e plásticos. “A nossa expectativa é que esse movimento ganhe corpo incorporando os trabalhadores do serviço público. Por isso é muito importante esse encontro que faremos no dia 30”, esclareceu o presidente da Fitmetal. “A unidade metalúrgica também pode se espalhar por outras categorias e esse movimento ganhar mais força”, emendou Miguel.

Sem os votos necessários para aprovar a reforma na íntegra, Michel Temer tem negociado - inclusive com a base aliada insatisfeita com a reforma - apenas alguns pontos para tentar levar o texto à votação. A idade mínima permanece na reforma que sofreu alterações. Para se aposentar mulheres precisam ter 62 anos e homens 65 anos. Pelas regras atuais as mulheres podem se aposentar aos 55 após 30 anos de contribuição e os homens aos 60 anos após 35 anos de contribuição. "Somos contra a idade mínima e a orientação é resistir", disparou Marcelino.