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Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís (MA) recebe Ciclo de Debates

Em conjunto com o evento, o Sindicato convocou o I Congresso Extraordinário de Metalúrgicos e Metalúrgicas (1º CONMETAL). Confira a programação e conheça mais sobre o Sindicato.


POR Murilo Tomaz

Publicado em 06 de dezembro de 2017

Foto de FITMETAL

Nesta quinta-feira, dia 7, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís (MA), recebe o “Ciclo de Debates – Indústria e Desenvolvimento”, organizado pela FITMETAL, em conjunto com a UFMA, Dieese e a CTB. Os debatedores serão: o assessor jurídico do Sindicato, Guilherme Zagallo; o professor Cristiano Copovelli, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA); o secretário estadual de Indústria e Comércio, Dr. Simplício Araújo; e o cientista social Ronaldo Carmona. O evento acontece no Auditório do Viva Cidadão (Av. Beira Mar, s/n, Centro – São Luís/MA), das 8h às 17h. Na oportunidade, será realizado em conjunto com o Ciclo de Debates o I Congresso Extraordinário de Metalúrgicos e Metalúrgicas - 1º CONMETAL (confira a programação ao final).

Esta é a décima etapa do “Ciclo de Debates” que percorreu o Brasil para discutir estratégias para a superação da crise a partir da reindustrialização do país e a geração de empregos. Por isso, para fechar o ano o Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís (MA), filiado à FITMETAL, recebe o debate em um momento fundamental para o Maranhão: a cidade de Bacabeira terá um novo polo siderúrgico construído com investimento chinês. No centro dessa discussão, o Sindicato tem se manifestado e acompanha as negociações para que os direitos dos trabalhadores locais não sejam desrespeitados. Mas esta luta não é de agora! Para conhecermos melhor a história e a estrutura do Sindicato, assim como a sua luta por melhores condições para a categoria, confira a reportagem que passa pelos principais aspectos dessa fundamental entidade metalúrgica do Brasil.

História

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís (MA) foi fundado em 11 de maio de 1959 por José Alves da Costa e representava os trabalhadores das oficinas mecânicas, com abrangência em todo estado do Maranhão. Após forte crescimento nos anos 80 com a implantação da indústria de transformação e de estruturas metálicas no estado, a cobertura do sindicato ficou restrita somente à capital São Luís.

O atual presidente do sindicato, José Maria Araújo, entrou na categoria metalúrgica em janeiro de 1987, contratado pela Construtora Assis LTDA, prestadora de serviço para Alcoa/Alumar. No mesmo ano passou a ser contrato direto da Alcoa/Alumar. José Maria ocupou diversos cargos na direção do Sindicato até se tornar presidente pela primeira vez no ano 2000, posto que ocupou até 2007 após ser reeleito. Em seguida passou a ocupar a secretaria-geral da entidade e em 2011 retornou à presidência. Reeleito novamente, tem mandato agora até 2019.

O Sindicato

O Sindicato tem atuação junto às indústrias metalúrgicas, siderúrgicas, empresas mecânicas, de material elétrico, eletrônico, de refrigeração, de informática, de manutenção, e montagem na cidade de São Luís. Hoje, a categoria tem cerca de cinco mil trabalhadores e, aproximadamente, 900 trabalhadores são sócios do sindicato, que conta com 36 diretores, sendo apenas uma mulher. Conforme informações do Sindicato, o salário médio dos metalúrgicos da cidade é de R$ 1.400,00.

Estrutura

Mesmo com poucos recursos financeiros, o sindicato possui duas sedes próprias, sendo uma administrativa, no centro de São Luís, e outra social, com campo de futebol, bar, restaurante e piscina adulto e infantil no município de São José de Ribamar, na Região Metropolitana. Além disso, os dirigentes se comunicam com a categoria pelo site do sindicato, por inserções diárias em rádio e semanalmente em TV. A categoria também conta com programas assistenciais e convênios com faculdades.

Cenário Atual

O atual cenário da indústria vivido pelos metalúrgicos e metalúrgicas de São Luís, com a crise pela qual passa o país iniciada com golpe de 2016, é de dificuldade para empresas e trabalhadores, com fechamento de fábricas, recuperação judicial, perdas de contrato, calotes nas dividas e nos empregados, ou demissões com pagamentos dos termos rescisórios parcelados. Com tudo isso cresce o número de desempregados.

“O golpe trouxe recessão, incerteza, escassez de recursos e falta de perspectivas, afetando todos os segmentos produtivos com agravamento na siderurgia, desativação de empresa, demissão em massa em todo estado do Maranhão”, diz José Maria Araújo, presidente do Sindicato.

Empresas

Segundo o presidente, várias das empresas que atuam em São Luís tem matriz em outros estados. Assim, atuam na prestação de serviços e por contratos temporários sem permanência ou contato com o Sindicato e só comparecem no ato da homologação, situação que prejudica a catgoria e a atividade sindical.

As maiores empresas na cidade são, conforme dados fornecidos pelo Sindicato: Alcoa/Alumar com cerca de 800 funcionários, Dimensão Aço Plano com 200 trabalhadores, Nacional (220), Memps (50), Metalúrgica São Marcos (60) e Elétrica Visão (60)*.

A relação com a principal empresa metalúrgica da cidade é conflituosa. Araújo observa que a empresa Alcoa/Alumar, além de cometer diversas práticas abusivas aos trabalhadores e intrasigências nas campanhas salariais, possui contratos fraudulentos de serviços metalúrgicos sendo executados por empresas disfarçadas na construção civil.

O presidente ainda aponta que “não existe comparação” da fábrica da empresa em São Luís com as em outras partes do mundo, onde os salários são maiores e o gerenciamento de atividades e as negociações são qualificadas, indica.

Campanha Salarial

O Sindicato tem lutado nos últimos meses contra os abusos da Alcoa/Alumar que estaria impedindo a assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT 2017/2018) da categoria, cujo atraso já ultrapassa oito meses desde a data-base (1° de março). A empresa impediu que o sindicato patronal assine a CCT com o argumento que iria aguardar a nova Lei trabalhista. Mas esta já entrou em vigor dia 11 de novembro. Agora os representantes da empresa alegaram "falta de segurança jurídica e poder de decisão para assinar o acordo coletivo", como assinala o site do sindicato.

"Este ano foi de maior dificuldade financeira, os direitos conquistados estão sendo ameaçados, e surge o desafio da luta e resistência contra o retrocesso orquestrado pelo capital financeiro, empresas e governos. Este é um momento de prova de resistência e afirmação do verdadeiro sindicalismo de classe", conclama Araújo.

Bacabeira

A cidade de Bacabeira, localizada a 53 km de distância de São Luís, ao que tudo indica, terá a construção iniciada - já no próximo ano - de um novo polo siderúrgico. O empreendimento será relizado pela produtora de aço chinesa CBStell. Estima-se que o investimento total seja em torno de 8 bilhões de dólares e que o polo possa gerar entre 3 a 5 mil empregos.

De acordo com Araújo, foi criado um sindicato dos metalúrgicos em Bacabeira, porém não regulamentado, na época da siderúrgica Margusa SA que fechou e demitiu todos os empregados. Em seguida, o local dessa antiga siderúrgica foi destinado à Petrobras para a construção de uma refinaria, que também não prosperou. Agora a área será encaminhada ao investimento dos chineses.

O dirigente aponta que a CBStell já assinou todos os protocolos de intenções e benefícios fiscais e o Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís acompanha de perto estes acontecimentos. “O nosso Sindicato está participando dos debates, inclusive sobre a assinatura do acordo de serviço, que trata de empregos, jornada de trabalho e salário”, diz.

PROGRAMAÇÃO CICLO DE DEBATES/CONMETAL

8hs – Abertura
8:30hs – Leitura do Regimento Interno
9hs – Ciclo de Debates “Indústria e desenvolvimento” – Estratégias para superar a crise e construir um novo projeto nacional.
10:30hs – Intervalo/Lanche
11:00hs –Debates
11:50hs – Encaminhamentos/considerações finais
12hs – Almoço
13hs – Discussão e aprovação da proposta de extensão de base para os municípios de Bacabeira, Rosário e Santa Rita
14hs – Leitura, discussão e aprovação das propostas de Alterações estatutária
16hs – Leitura e aprovação do Relatório final do 1º CONMETAL EXTRAORDINÁRIO
17hs – Encerramento

*Números de funcionários são aproximados e podem variar ao longo dos meses com as constantes demissões na categoria.

José Maria Araújo fala com os trabalhadores da MEMPS, durante paralisação na empresa no último mês de julho.

Foto de Reprodução