Notícias

Em São Luís (MA), debate discutiu prejuízos da desindustrialização no país

No último dia 7, o I Congresso Extraordinário dos Metalúrgicos (CONMETAL), que promoveu o Ciclo de Debates - “Indústria e Desenvolvimento: Estratégias para superar a crise e construir um novo projeto nacional”.


POR Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís

Publicado em 18 de dezembro de 2017

Foto de Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís realizou, no último dia 7, o I Congresso Extraordinário dos Metalúrgicos (CONMETAL), que promoveu o Ciclo de Debates - “Indústria e Desenvolvimento: Estratégias para superar a crise e construir um novo projeto nacional”. Esta foi a décima edição do Debate, organizado pela FITMETAL, em parceria com a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Além dos presidentes do Sindicato e da FITMETAL, José Maria Araújo e Marcelino da Rocha, respectivamente, participaram da discussão o professor Cristiano Copovilla (Filosofia/UFMA), o secretário estadual de Indústria, Comércio e Energia, Simplício Araújo; o presidente da CTB-MA, Joel Nascimento; e o professor Ronaldo Carmona (UFMA).

O presidente da FITMETAL, Marcelino da Rocha, falou do cenário político turbulento e de crise vividos no país, num consórcio entre mídia, Congresso e Governo que vai contra os trabalhadores e o povo, ressaltando o processo de desindustrialização que levou o país ao pior índice de participação da indústria na economia, em 2017, resultando no fechamento de fábricas, aumento massivo de desempregados e um processo de empobrecimento da população. Ele observou que o país vive uma realidade antagônica a dos países asiáticos, que tiveram aumento da participação da indústria na economia, e frisou o papel da indústria, que dinamiza a economia e oferece melhores salários que outros setores.

O presidente da CTB-MA, Joel Nascimento, apontou as reclamações dos trabalhadores do Maranhão sobre a falta de indústrias, criticando o projeto político adotado no Brasil, que entrega as indústrias nacionais ao capital estrangeiro.

O professor Cristiano Copovila levantou aspectos ideológicos que envolvem a industrialização, cujos aspectos representam a própria independência nacional em sua vertente econômica. Ele criticou a política de neoliberalismo, que representa a expressão da hegemonia do capital financeiro sobre o sistema nacional, inclusive a indústria e o comércio. Essa política extrai o valor produzido pelo trabalho e, em vez de reaplicá-lo na produção, cria uma rede especulativa para que ele se revalorize, mas sem passar pela ação do trabalho. “O neoliberalismo impõe políticas das organizações mundiais, coagindo os países a abrirem mão da própria autonomia nacional”, avaliou.

Ele também defendeu o surgimento de uma alternativa ao neoliberalismo, agregando forças e políticas nacionais desenvolvimentistas, progressistas e de esquerda – para articular um projeto de desenvolvimento nacional centrado no trabalho, produção industrial e desenvolvimento social.

O professor Ronaldo Carmona ressaltou que a economia brasileira esteve entre uma das dez maiores do mundo, antes da atual crise nacional que, para ele, talvez ainda não tenha atingido o ápice, pois o desmonte ainda está em curso. Para ele, ao contrário do que divulga a grande mídia e o Governo, ainda não se encontrou uma saída para a crise, e o país enfrenta grande fragilidade econômica, com juros reais de 4% ao ano e desmobilização dos instrumentos do estado. “O Brasil vai na contramão das tendências mundiais, que é investir na indústria como vértice”, avaliou.

Para o professor, entre outras ideias, o país precisa retomar o projeto de nação com a industrialização como política macro, inclusive com a participação do estado, como se deu em várias nações.

O secretário Simplício Araújo fez uma avaliação sobre o que considera os gargalos do segmento produtivo no Maranhão, afirmando que é preciso defender o emprego e a indústria dentro do próprio estado, já que a maior parte que é consumido no Maranhão vem de estados vizinhos. Ele rebateu as ideias vendidas de que os grandes empreendimentos seriam a salvação para a economia do estado, defendendo o desenvolvimento da cadeia produtiva para propiciar a criação de mercado produtivo capaz de suprir parte do consumo interno e gerando empregos e renda.

O secretário defendeu a importância da valorização dos pequenos e médios negócios na movimentação da economia, em vez de se pensar apenas as grandes empresas, como aconteceu por muito tempo nos bastidores da política estadual, onde pequenos grupos eram privilegiados.

Ele também apontou a necessidade de discussão da situação fundiária, abrindo diálogo com as comunidades tradicionais para discutir a relevância do desenvolvimento industrial, reconhecendo a importância de preservação das comunidades.

Outro ponto levantado foi a desvirtuação ocorrida com as associações e cooperativas no estado, utilizadas com fins pessoais e eleitoreiros.

O secretário afirmou que o Maranhão tem muitas perspectivas de crescimento industrial, pedindo a união entre governo e classe trabalhadora, já que ambos enfrentam o mesmo problema: a pior crise das últimas décadas. “Temos que remar juntos e no mesmo sentido, pois a tormenta é a mesma para todos”, disse.

Ao final, o secretário ainda esclareceu dúvidas específicas dos trabalhadores presentes, comprometendo-se em fiscalizar uma empresa metalúrgica de São Luís, denunciada pelo presidente do Sindmetal por submeter os trabalhadores a uma situação análoga à escravidão.

Foto de Sindicato dos Metalúrgicos de São Luís