Notícias

Metalúrgicos se solidarizam com Lula e condenam julgamento sem provas

O presidente da FITMETAL declarou que a orientação da Federação aos sindicatos filiados é que se mobilizem e participem dos atos para denunciar a farsa do julgamento marcado em tempo recorde pelo Tribunal Regional Federal-4.


POR Railídia Carvalho - Portal Vermelho

Publicado em 17 de janeiro de 2018

Foto de Tiago Maestro

O presidente da Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (Fitmetal), Marcelino da Rocha, afirmou que o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que acontecerá dia 24 em Porto Alegre (RS) é a continuidade do golpe que tirou a presidenta Dilma Rousseff da presidência. Segundo ele, o objetivo é evitar a volta de um de um projeto político que beneficiou a maioria da população e foi iniciado com o ex-presidente.

O dirigente declarou que a orientação da Fitmetal aos sindicatos filiados é que se mobilizem e participem dos atos para denunciar a farsa do julgamento marcado em tempo recorde pelo Tribunal Regional Federal-4. “O golpe foi contra o povo brasileiro, então a nossa convocação é em favor da ampliação da democracia e não de restrições democráticas. Esse julgamento é parte de um conglomerado que resolver atuar contra o povo e que inclui a mídia, o judiciário, o parlamento”, afirmou Marcelino.

A sessão em Porto Alegre vai decidir sobre recurso do ex-presidente que contesta a condenação de nove anos e seis meses dada pelo juiz Sérgio Moro sobre o caso do apartamento tripléx do Guarujá. Caso a sentença de Moro seja confirmada, o ex-presidente poderá ter inviabilizada a candidatura à presidência da República. Pesquisa Datafolha de dezembro apontou que Lula confirmou liderança isolada nas pesquisas entre os candidatos à presidência da República.

“A partir de provas contundentes que existem contra as pessoas que estão no poder hoje, incluindo o atual presidente, deputados e senadores podemos assistir o julgamento e a condenação do ex-presidente Lula sem provas cabais”, criticou o dirigente. Na última semana, a juíza Luciana Correa, de Brasília, autorizou a penhora do tríplex a pedido de um credor da OAS. Para a defesa de Lula, a decisão deixa claro que o imóvel pertence à empreiteira, fato que poderia gerar pedido de vistas no julgamento.

“Lula está disposto e muito animado, com vontade de fazer uma nova caravana pelo País. Ele também critica o julgamento sem provas a que é submetido e lamenta influência política no Judiciário”, afirmou à reportagem da Agência Sindical o presidente dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres. Ele e o também dirigente da Força Sindical, Sérgio Butka, sindicalista do Paraná, visitaram ensta segunda-feira (15) o ex-presidente na companhia de Paulo Cayres, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT).

Os dirigentes também conversaram sobre as ações de resistência à reforma trabalhista, eleições 2018 e conjuntura econômica. “Segundo a visão de Lula, não há saída possível ao nosso País que não seja por meio da retomada do crescimento, com emprego de qualidade”, afirmou Miguel. Na opinião de Marcelino, o atual governo caminha na contramão do que o movimento sindical defende.

O dirigente citou números da base metalúrgica da Fitmetal confirmando a queda nas vagas no segmento. “Como exemplo, podemos citar que os metalúrgicos de Betim e região contavam com quase 50 mil trabalhadores e hoje estão reduzidos há 20 mil. Em Caxias do Sul de 50 mil passamos para 30 mil trabalhadores metalúrgicos. No Rio de Janeiro, os metalúrgicos do setor naval foram praticamente extintos passando de mais de 80 mil para atuais 5 mil trabalhadores”.

De 2013 a 2017 foram extintas 530 mil vagas no setor metalúrgicos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Até 2013 houve crescimento e havia 2 milhões e 446 mil metalúrgicos trabalhando. Em agosto de 2017 os dados apontavam para 1 milhão e 911 mil trabalhadores do segmento empregados.

“A crise no setor metalúrgico se iniciou com a crise econômica internacional e foi aprofundada com uma política de governo que restringiu investimento público e paralisou obras públicas. Esse foi um dos efeitos do golpe”, denunciou Marcelino.

Do Portal Vermelho

 


Últimas Inclusões