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Setor de petróleo melhora no RJ, mas indústria naval segue em crise

Enquanto o setor de energia começa a dar sinais de recuperação em dois eixos regionais, com perspectivas de geração de emprego, o setor naval continua à espera da volta dos investimentos


POR Redação, com informações do "Valor Econômico"

Publicado em 05 de março de 2018

Estaleiro Mauá, em Niterói: os investimentos em P&G ainda não beneficiam o setor naval


Em espiral de queda desde 2014 – quando os preços do barril e os desdobramentos da operação Lava-Jato minguaram os investimentos em óleo e gás –, o setor de energia começa a dar sinais de recuperação no estado do Rio de Janeiro. Há registro de avanços tanto no aspecto fiscal quanto nas perspectivas de geração de emprego.

Para além do crescimento esperado na arrecadação de royalties, 2018 marca também o início de importantes obras para a economia fluminense, ainda que o ritmo de atividade da indústria petrolífera não seja aquele dos tempos pré-crise. Mas, segundo reportagem do jornal “Valor Econômico” publicada nesta segunda-feira (5/3), a volta dos investimentos ainda não atinge o setor naval – que permanece em crise.

No caso do petróleo, o início da recuperação passa por dois eixos regionais: Itaboraí, na região metropolitana, que vive a expectativa de retomada das obras da unidade de processamento de gás (UPGN) do Comperj; e a região Norte Fluminense, onde começa a construção, neste mês, da primeira das duas termelétricas do complexo do Açu, em São João da Barra. Juntos, Comperj e Açu têm potencial para gerar até 9 mil vagas no pico, nos próximos anos.

Segundo a 4E Consultoria, o Rio está de "saída técnica" da recessão desde meados do ano passado. Apesar do PIB estadual ter provavelmente recuado 1% em 2017, ele ficou estável no terceiro trimestre e cresceu no quarto trimestre. A consultoria atribui parte dessa reversão ao setor de óleo gás - que responde por 36% do valor produzido pela indústria no estado.

"Os royalties também ajudam nas contas do governo e podem contribuir para a retomada de serviços públicos e consequente efeito na atividade econômica", comenta o economista da 4E, Alejandro Padron. No primeiro bimestre, a arrecadação de royalties no estado cresceu 26,3%, para R$ 561 milhões, segundo a ANP (Agência Nacional de Petróleo). O governo do Rio projeta uma alta de 18% a 20% na arrecadação neste ano.

Em 2017, a geração de receitas de royalties e participação especial com a produção de óleo e gás já havia praticamente dobrado, para cerca de R$ 7,1 bilhões, interrompendo uma sequência de dois anos de queda nominal. Ainda assim, os valores arrecadados pelo Rio seguem abaixo daqueles de 2014 (R$ 9,94 bilhões), quando os preços do barril começaram a cair

Expectativa

Além do aspecto fiscal, a gerente das áreas de Petróleo & Gás e Naval da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Karine Fragoso, destacou que o índice de confiança do empresariado melhorou em relação a 2017. "Temos condições já existentes para ter um futuro melhor do que o melhor passado que tivemos", afirmou.

A principal expectativa do setor gira em torno, hoje, da retomada das obras da UPGN do Comperj, que tratará o gás natural produzido do pré-sal. A construção da unidade foi interrompida em 2015 e será reiniciada em meados deste ano. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí, as obras devem demandar a contratação de até 6 mil empregados. Hoje, apenas 300 trabalham nos canteiros do Comperj, sobretudo com manutenção. Ao todo, 36% das obras já foram executados.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí, cerca de 1.200 pessoas trabalham hoje nos estaleiros de Niterói, referência naval do Estado. O número responde por menos de 10% dos 15 mil empregados diretos de 2014.

No Norte Fluminense, começa em março a construção da primeira termelétrica do complexo do Açu, da Prumo Logística. A empresa prevê investir R$ 7 bilhões em duas térmicas a gás e um terminal de regaseificação nos próximos cinco anos. A expectativa da empresa é que sejam gerados 3 mil empregos durante a construção das usinas, que devem ficar prontas uma em 2021 e uma 2023.

Karine, da Firjan, também vê aquecimento no mercado de prestação de serviços de manutenção, concentrado sobretudo em Macaé, também na região Norte Fluminense. Ao todo, a Petrobras estima 45 paradas programadas em suas plataformas em 2018, praticamente o dobro do ano passado. "Isso também demonstra que há um engajamento para recuperação do setor", disse.

Em Macaé, o mercado vê sinais de aquecimento na procura de terrenos por parte de fornecedores, de olho nas perspectivas de encomendas após a retomada dos leilões do pré-sal em 2017. "O nível de sondagem está próximo dos níveis pré-crise. São grandes empresas estrangeiras pequenas médias nacionais", afirmou Leonardo Dias, diretor do Parque Industrial Bellavista, espécie de condomínio industrial que abriga grandes empresas do setor. Hoje, 14 empresas estão em fase de negociação, em diferentes estágios, para aquisição de terrenos no local.

A Firjan estima um volume de investimentos em exploração e produção no país de US$ 175 bilhões até 2030. Desse total, 65% do valor são referentes a projetos com destino final no Rio. Karine disse, porém, que é preciso que o país evolua na questão tributária. “O royalty tem como premissa construir o futuro. E o que estamos fazendo é destruindo futuro para tratar do passado. E não se consegue avançar na construção de um futuro além do petróleo".

Setor naval em crise

Mesmo com as notícias positivas na indústria fluminense de petróleo, não há previsão de retomada dos investimentos no setor naval, por ora. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí, cerca de 1.200 pessoas trabalham hoje nos estaleiros de Niterói, referência naval do Estado. O número responde por menos de 10% dos 15 mil empregados diretos de 2014.

"Está tudo parado, basicamente sobrevivendo de reparos navais, e a perspectiva hoje é que, sem novos contratos, haja novas demissões nos próximos meses, conforme os serviços contratados sejam concluídos", afirma o presidente do sindicato, Edson Rocha.


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