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Dieese: A indústria e o desenvolvimento no Brasil

É imprescindível a retomada do crescimento e sua sustentação no longo prazo com base no desenvolvimento produtivo, orientado para a superação de gargalos na infraestrutura, no financiamento de longo prazo e atendimento de demandas urgentes da sociedade


POR Clemente Ganz Lúcio e Altair Garcia

Publicado em 22 de março de 2018

O debate sobre o papel da indústria no desenvolvimento do Brasil, da maior importância em toda a história do país, assume ainda maior relevância em face dos inúmeros desafios que se renovam no século 21, seja no âmbito interno – em face de três décadas de crescimento tímido – seja na perspectiva internacional, com a retomada do desenvolvimento dos países centrais após a crise econômica de 2008.

Durante o período em que o Brasil apresentou intenso crescimento econômico e consolidou um parque produtivo diversificado e integrado (1950-1985), a indústria de transformação chegou a representar 22% do PIB nacional. Nos anos 1980, contudo, registrou-se mudança expressiva da indústria brasileira, com elevação dramática do hiato tecnológico – que havia sido reduzido, mediante esforço brutal, na década de 1970 – vis-à-vis a expansão da indústria mundial, sobretudo dos países asiáticos de industrialização tardia.

A queda vertiginosa da participação da indústria de transformação na economia atingiu o fundo do poço em 2016, quando chegou a 11,7%, retornando ao patamar registrado na década de 1940. As políticas industriais implementadas nos anos 2000 tentaram recuperar, sem sucesso, o protagonismo da indústria no país, mas não alcançaram plenamente seus objetivos, demonstrando que a tarefa é árdua e complexa.

O o Brasil reúne todas as condições para superar a crise, sobretudo por meio da recuperação e transformação da estrutura industrial, cujo dinamismo comporta um grande projeto de desenvolvimento

Os desafios são, de fato, imensos, mas o Brasil reúne todas as condições para superar a crise, sobretudo por meio da recuperação e transformação da estrutura industrial, cujo dinamismo comporta um grande projeto de desenvolvimento.

É imprescindível a retomada do crescimento e sua sustentação no longo prazo com base no desenvolvimento produtivo, orientado, sobretudo, para a superação de gargalos na infraestrutura, no financiamento de longo prazo e atendimento de demandas urgentes da sociedade brasileira, capaz de agregar valor e incrementar a produtividade, fortalecer o mercado interno e a participação do país no mercado externo, gerar empregos e aumentar salários. A produção econômica deve se transformar em desenvolvimento social, pela capacidade política de distribuir os resultados, destinando-os ao bem-estar social, à qualidade de vida e ao equilíbrio ambiental.

* Clemente Ganz Lúcio, sociólogo, é diretor técnico do Dieese, membro do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Grupo Reindustrialização

** Altair Garcia, técnico do Dieese e professor da Escola Dieese de Ciências do Trabalho. É doutorando em Economia do Desenvolvimento pela Unicamp


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