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Com Temer, pobreza extrema dispara 11% em apenas um ano

Mais de 14,8 milhões de pessoas vivem com menos de R$ 136 por mês. Situação se agravou especialmente no Nordeste.


POR Redação, com informações do "Valor Econômico"

Publicado em 12 de abril de 2018


Prestes a completar dois anos, o golpe de abril de 2016 – que culminou no governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB) – continua a provocar estragos sociais no Brasil. Segundo levantamento da LCA Consultores, a partir dos microdados da Pnad Contínua, divulgada nesta quarta-feira (11) pelo IBGE, a pobreza extrema disparou no País em 2017. O número de brasileiros sob situação passou de 13,34 milhões em 2016 para 14,83 milhões no ano passado – um expressivo aumento de 11,2% em apenas um ano.

De acordo com Cosmo Donato, economista da LCA, a expectativa era que o fim da recessão de 2014-2016 fosse capaz de produzir números melhores no ano passado. Um dos fatores por trás da piora – acredita ele – foi o fechamento de postos com carteira assinada, que têm garantias trabalhistas e pisos salariais. Portanto, a precarização geral do emprego – uma das marcas do governo Temer – está agravando ainda mais a pobreza no Brasil.

"No lugar desse emprego [com carteira assinada], o mercado de trabalho gerou ocupações informais, de baixa remuneração e ganho instável ao longo do tempo. A própria crise fiscal dos estados afeta indiretamente, ao gerar menos empregos para essa parcela mais pobre da população, que geralmente é menos instruída. Estou falando de postos relacionadas a obras públicas, por exemplo", disse o economista.

Com o resultado, o contingente de pessoas extremamente pobres representava 7,2% da população brasileira em 2017, acima dos 6,5% no ano anterior. Para chegar aos números, a consultoria adotou a linha de corte do Banco Mundial para países de nível médio-alto de desenvolvimento, como os da América Latina. O padrão é de US$ 1,90 de renda domiciliar per capita por dia (corrigido pela paridade de poder de compra). Isso equivale a R$ 133,72 mensais em 2016, segundo cálculos do IBGE. A consultoria atualizou essa linha pelo IPCA, para R$ 136 em 2017.

Todas as regiões exibiram indicadores piores de pobreza. O Nordeste concentrava 55% da população extremamente pobre. No ano passado, eram 8,1 milhões de pessoas na região com renda per capita abaixo de R$ 136, boa parte concentrada na Bahia e em Pernambuco. É um contingente 10,8% maior do que o registrado no ano anterior, ou 800 mil pessoas a mais.

A miséria também cresceu na região mais rica do país, o Sudeste. De acordo com o levantamento da LCA, a região tinha 3,27 milhões de pessoas extremamente pobres no ano passado, 13,8% a mais do que no ano anterior. Houve piora nas quatro unidades da federação que compõem o Sudeste, mas com maior intensidade no Rio e São Paulo, e menor intensidade em Minas Gerais e Espírito Santo.

O cálculo da pobreza extrema considera todas as fontes de renda, como trabalho, previdência ou pensão, programas sociais e aluguéis. Em 2017, essa renda recuou tanto para ricos quanto para pobres. Mas as perdas foram mais intensas na base da pirâmide.

Donato lembrou que a população mais pobre teve apenas um aliado importante ao longo do ano passado, que foi o ciclo de deflação dos alimentos. Pelo IPCA, o índice que mede a inflação oficial brasileira, os alimentos ficaram 4,85% mais baratos no ano passado, frente ao ano anterior.

"Os alimentos pesam 25% no orçamento das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Mas estamos aqui falando de famílias que vivem com bem menos do que isso. Os alimentos devem, em muitos casos, ser responsáveis pela maior parte dos gastos dessa população extremamente pobre, às vezes quase a totalidade da renda."

O cálculo da pobreza extrema considera todas as fontes de renda, como trabalho, previdência ou pensão, programas sociais e aluguéis. No ano passado, essa renda recuou tanto para ricos quanto para pobres. Na base da pirâmide, contudo, as perdas foram mais intensas. A parcela dos 5% mais pobres da população brasileira teve um rendimento médio real de R$ 40 por mês em 2017, queda de 18% frente ao ano anterior (R$ 49). No caso da parcela 1% mais rica da população, esse rendimento encolheu menos, em 2,3%, de R$ 15.975 para um ganho médio mensal de R$ 15.504.

Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, o movimento pode ser explicado por um número menor da renda do trabalho. "A qualidade do emprego foi baixa em 2017, com a redução da taxa de desocupação por meio do trabalho informal", disse Azeredo, durante divulgação de suplemento especial da Pnad Continua ontem, no IBGE.

A pesquisa mostrou um mercado de trabalho pior do que a pesquisa domiciliar mensal do IBGE vinha apontando. Pela Pnad Contínua mensal, 264 mil pessoas conseguiram ocupação em 2017 e o renda real habitual cresceu 2,4% na média do ano. Ontem, a pesquisa divulgada mostrou que a renda efetivamente recebido de todos os trabalhos recuou 1,36% e 310 mil pessoas a menos tiveram renda do trabalho.


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