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Categoria metalúrgica sofre com alta do desemprego e arrocho salarial

Número de trabalhadores no setor caiu 23,4% em quatro anos


POR Com informações da CNTM

Publicado em 09 de maio de 2018

Em 2013, quando o Brasil ainda vivia uma fase de crescimento econômico, a categoria metalúrgica ainda crescia e contava com 2,44 milhões de trabalhadores formais. A severa recessão de 2014-2016 e o golpe contra a presidenta Dilma inverteram essa tendência. No ano passado, o Brasil empregava 1,8 milhão de metalúrgicos – queda de 23,4%.

Para o economista Rodolfo Viana – que dirige a subseção do Dieese no Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, na Grande São Paulo –, a crise não atingiu apenas os postos de trabalho. “O padrão salarial também piorou bastante”, aponta Rodolfo.

Segundo ele, ainda que o número de empregos possa crescer, há perda no valor do salário. “As novas vagas estão pagando menos – entre 75% e 80% do que a empresa pagava ao empregado dispensado.” Conforme estimativa de Rodolfo e do Dieese, o arrocho salarial está em torno de 22%.

A Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) também ficou em xeque. “Num ambiente de recessão e insegurança, a empresa não paga a PLR, adia o pagamento ou simplesmente rebaixa o valor, o que agrava a paralisia da economia”, explica Rodolfo.

A recuperação do emprego metalúrgico passa, necessariamente, pela efetivação de uma política industrial e pela retomada de investimentos. Porém, a política econômica do governo Temer praticamente inviabiliza a recuperação.

A recuperação do emprego metalúrgico passa, necessariamente, pela efetivação de uma política industrial e pela retomada de investimentos. Porém, a política econômica do governo Temer praticamente inviabiliza a recuperação. “A taxa Selic de 6,5% ao ano não tem base na economia real. Para empréstimos e cheque especial, há juros superiores a 340% ao ano. E as taxas bancárias (spreads) viraram uma importante fonte de receitas. Tudo isso conspira contra a recuperação da economia”.

Reforma trabalhista

A recessão, aliada à crise política, reduz a margem de manobras do sindicalismo. “Além da recessão, o movimento tem de enfrentar a lei trabalhista de Temer, que desmonta a CLT e ataca violentamente direitos e conquistas da classe trabalhadora”.

Muitos trabalhadores demitidos tinham plano de saúde nas empresas, mas, uma vez desempregados, não conseguem pagar convênio médico. O resultado é aumento na procura pela rede pública de saúde. Porém, alerta o economista, “o governo congelou investimentos em saúde, deixando no abandono milhões de brasileiros”.