Notícias

Novos dados atestam desindustrialização recorde no Brasil


POR Agências

Publicado em 18 de julho de 2019


A indústria brasileira é uma das que mais apresentaram recuo no mundo em quase 50 anos. Levantamento encomendado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostra que o setor no Brasil teve a terceira maior retração entre 30 países, desde 1970, ficando atrás apenas de Austrália e Reino Unido.

Os dados levam em conta o resultado da produção industrial até 2017. No ano seguinte, houve avanço de 1,1% no Brasil, mas o setor voltou a ter desempenho negativo neste ano, sinalizando que a recuperação ainda está distante. Em maio, a indústria recuou 0,2% . Com isso, acumula queda de 0,7% nos primeiros cinco meses do ano.

A pesquisa encomendada pelo Iedi foi feita pelos economistas Paulo Morceiro e Milene Tessarin, da Fipe/USP. Ela apontou que a participação da indústria no PIB brasileiro despencou de 21,4% para 12,6%, entre 1970 e 2017. O resultado impressiona não apenas pela queda, mas também pelo fato de que esse declínio é considerado prematuro.

Contramão da história

Para Marcelino da Rocha, presidente da FITMETAL, os dados demonstram que o Brasil está na contramão da história. “O que vemos hoje nos países desenvolvidos são programas de reindustrialização, em especial por conta das inovações que a chamada quarta revolução industrial exige”, afirma. “Sem uma forte participação do Estado para reverter esse quadro, com fortes investimentos em Educação, Ciência e Tecnologia, estaremos fadados a perder cada vez mais empregos nesse setor”.

Segundo o levantamento, nos dois países que tiveram declínio na produção industrial mais forte que a do Brasil - Austrália e Reino Unido - a renda da população estava subindo quando a queda do desempenho da indústria começou. Essa renda continuou aumentando a um ritmo muito superior ao do Brasil nos anos que se seguiram.

“Quando um país se desenvolve, a renda per capita das famílias cresce e, com isso, é natural que eles consumam mais serviços e menos bens. Isso faz com que haja uma redução no peso do setor da indústria no PIB ao longo do processo de enriquecimento dos países, como aconteceu nos EUA, na Europa e no Japão”, explica Rafael Cagnin, economista do Iedi.

Cagnin diz que o caso brasileiro é mais grave. “É uma desindustrialização prematura, já que a nossa indústria começou a perder peso na estrutura produtiva antes mesmo de a população enriquecer. Não atingimos a renda per capita dos outros países à medida que perdemos participação da indústria no PIB.”

Para Cagnin, o processo de desindustrialização do Brasil é um caso à parte. Além de o país não ter ainda atingido um melhor nível de renda quando começou o processo - observam-se dois períodos de retrocesso, entre 1981 e 1998 e de 2009 até hoje -, não houve um crescimento do PIB per capita, como em outros países.

Fonte: O Globo, com acréscimos da FITMETAL


Últimas Inclusões