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Wallace Paz, secretário-geral da Fitmetal, fala sobre a conquista do registro sindical da Federação

O secretário-geral da Fitmetal fala da obtenção do registro sindical, relembra o histórico percorrido até este momento e discorre sobre o que a categoria metalúrgica pode esperar a partir de agora.


POR Murilo Tomaz

Publicado em 15 de fevereiro de 2016

Foto de FITMetal

Desde o último dia 7 de janeiro, a Fitmetal passou a ser reconhecida como uma entidade sindical devidamente legalizada. Após 5 anos e meio de fundação, a Federação inicia 2016 com uma nova perspectiva.

O registro sindical já havia sido concedido pelo Ministério no último mês de outubro, mas nesse ínterim houve tentativas de impugnações que foram analisadas – e negadas – pelos órgãos competentes. A partir dessa confirmação, a ação política da Fitmetal passa a se dar em um novo patamar. É a respeito dessa nova fase – e dos caminhos percorridos até chegar ao atual estágio – que o secretário-geral Wallace Paz trata nesta entrevista. Confira abaixo:

Qual foi o caminho percorrido até a conquista do registro sindical junto ao Ministério do Trabalho e Previdência Social?

Por se tratar de um processo inédito em nosso campo político, tivemos que enfrentar alguns percalços. Agimos muito pelo ideal político da necessidade organizativa e estrutural, já que, desde nossa saída da CUT, em 2007, pautamos nossos objetivos pela necessidade de ter uma estrutura nacional. Durante todo o processo de debate sobre a fundação da Fitmetal, deixamos a burocracia em segundo plano e acabamos por nos deparar com empecilhos dessa natureza. Ao tomar conhecimento disso, buscamos vários contatos e comissões para resolver todas as pendências. Obviamente houve também um esforço concentrado por parte da comissão que cuidou desse processo de fundação. É importante destacar também a compreensão das nossas entidades filiadas a respeito da necessidade de obtenção do registro. A conjuntura momentânea nesse período nos levou a ter que olhar também para uma série de outros detalhes, pois deve-se ressalvar que, independente da nossa vida jurídica, na relação com o Ministério do Trabalho a Fitmetal, desde o seu nascedouro, em 2010, já nasceu articulando uma série de ações políticas, participando efetivamente das iniciativas produzidas em defesa da classe trabalhadora. Essa compreensão hoje já é reconhecida no movimento sindical e em diversos setores da sociedade.

Com a conquista do registro, o que muda para a base filiada à Federação?

Por mais que você tenha representatividade, você não pode fugir das questões legais. Isso é uma parte importante e necessária para salvaguardar as próprias instituições. No campo político e institucional nós já possuíamos essa condição, mas acredito que essa condição no campo legal traz uma situação melhor e maior para a Federação. Por outro lado, o nível de responsabilidade aumenta, sendo que hoje somos uma instituição efetivamente reconhecida por todos os órgãos com quem dialogamos. Como eu disse, com a carta sindical a responsabilidade atinge um novo patamar e nos traz novas responsabilidades, mas com consequências que, creio eu, serão positivas, pois abre-se um espaço para aproximação de outras entidades junto à Fitmetal. Temos certeza de que travaremos novos debates com aqueles que queiram nos ouvir.

A entidade é representada por sindicatos de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Maranhão e Pernambuco. Existem planos para estender a base para mais estados?

Temos que dar passos. A ampliação faz parte da própria condição da nossa entidade. Com o intuito de representar sempre de maneira mais ampla a classe trabalhadora, pensamos sempre em ampliar nossa representatividade. Temos pensamentos de ampliação de forma consequente, de modo a nos aproximar daqueles que tenham uma visão semelhante à nossa e que identifiquem na Fitmetal uma corrente de pensamento que possibilite a defesa da classe metalúrgica. Hoje, por exemplo, a Federação já tem um papel internacional. Dirigimos a UISMM (União Internacional Sindical dos Metalúrgicos e Mineiros) por meio do companheiro Francisco Sousa, que é uma organização dentro da Federação Sindical Mundial (FSM), na qual somos filiados, então já temos um relevante papel nessa esfera de unidade dos trabalhadores em nível mundial.

O que se pode esperar para o futuro da Fitmetal?

Espero vida longa. Penso que ainda teremos anos de muito trabalho, dedicação e muita luta – agora com uma condição mais favorável, em um patamar superior, que nos permita ampliar a relação com a nossa base. Hoje representamos cerca de 450 mil trabalhadores e trabalhadoras e precisamos priorizar alguns debates. Por ora, o debate sobre a industrialização está na pauta do dia, assim como a questão da renovação da frota veicular e a correção da tabela do Imposto de Renda. A partir das demandas enfrentadas pelos metalúrgicos e metalúrgicas, temos que nos preparar e apresentar elementos que fortaleçam os interesses da classe trabalhadora.


Fonte: FITMetal


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