Opinião

Atenção na política, nos partidos e nas eleições

Tendo abdicado de fazer política para além das fronteiras do sindicalismo, ao longo dos últimos anos, o movimento sindical perdeu efetividade e força nos espaços de poder, em particular nos parlamentos.


POR Marcos Verlaine

Publicado em 18 de outubro de 2017

Foto de Reprodução

Há um ambiente de descrença e desconfiança absolutas do povo, que não confia nos chamados políticos. E, por esta razão, mantém distância e desprezo pela política, o que não bom para democracia. Diferenciar-se sem cair no pitoresco e passar credibilidade, confiança e esperança será a tônica das próximas eleições e o movimento sindical vai precisar atender a essa demanda real e concreta para tentar ocupar os espaços de poder, a fim de atender e defender a agenda dos trabalhadores.

Tendo abdicado de fazer política para além das fronteiras do sindicalismo, ao longo dos últimos anos, o movimento sindical perdeu efetividade e força nos espaços de poder, em particular nos parlamentos. O fato mais recente foi a aprovação, na Câmara dos Deputados, com resistência muito aquém da exigida pela agenda dos trabalhadores na Casa, da chamada “Reforma” Trabalhista.

Este fato concreto demonstra ao conjunto do movimento sindical que é preciso fazer política para além das demandas e fronteiras do sindicalismo, que não são poucas ou simples. Assim, é preciso dar atenção às demandas da política, a fim de influenciar na tomada de decisões. Do contrário, ficaremos isoladas e sem espaços para movimentação e expressão das demandas dos trabalhadores nos espaços de poder institucional.

Tomar partido

Outro elemento importante é o fato de o movimento sindical não tomar partido. Refiro-me à massa dos dirigentes dos sindicatos. A expressiva maioria dos dirigentes sindicais de base não têm partido. Não têm engajamento. Não têm militância política. Mas como assim, os dirigentes têm de ter partido? É importante ter, pois as democracias se estruturam por meio dos partidos políticos, e como o nome já diz, representam partes da sociedade.

Por que os líderes sindicais de base de um segmento tão importante, expressivo e organizado como o movimento sindical, na sua maioria, não têm partido? Porque o sindicalismo absorveu parte desse preconceito propagado pelas elites brasileiras contra a política. As elites políticas e econômicas propagam e estimulam por meio dos meios de comunicação de massa o desengajamento político. Mas isso é estratégia para manutenção dos poderes político e econômico. Passam a falsa ideia de que política é ruim é suja e só se envolvem com política, os desonestos ou aqueles que querem tirar proveito pessoal e inconfessável da política.

Fora da política não há alternativas. Ou melhor, até há: a barbárie e a guerra. Por isso, o engajamento político é fundamental para a manutenção e o aprofundamento da democracia e dos pactos civilizatórios.

Mas a elite faz isso como despiste, pois sabe que a política é fundamental para manutenção de seu poder sobre o povo. Ao expressar esse despiste, em particular nos meios de comunicação de massa, o faz para tirar o povo da política, porque sabe que trata-se de ferramenta essencial para mudar o rumo das decisões, para o bem ou para o mal. Fazer política é essencial, a partidária é fundamental. Por isso, é preciso tomar partido!

Eleições

Pois então, o que vamos fazer nas eleições de 2018?

Precisamos disputar o poder! Precisamos mais. Precisamos ter representantes comprometidos com a agenda dos trabalhadores, nas assembleias legislativas (estados) e no Congresso Nacional. Ou vamos ver os nossos inimigos de classe elegerem a maioria dos representantes do povo para votar contra o povo e os trabalhadores?

As eleições estão se aproximando. O que estamos fazendo para participar efetivamente desse processo? Quais serão nossos candidatos? Quais os dirigentes que pretendem concorrer a uma vaga aos parlamentos estaduais e/ou federal?

Se pretende lançar-se candidato, o que fez, o que está fazendo para que esse projeto tenha êxito? Se não quer ser apenas mais um a disputar, quais as providências que tomou ou está tomando para ir “para as cabeças”? Guardou dinheiro? Organizou um cadastro de potenciais apoiadores? Tem desenvolvido ações que podem dar visibilidade política e eleitoral, a fim de tirar proveito dessas ações para a campanha, que já bate às nossas portas?

Se vai lançar-se candidato será por qual partido? Esse partido está comprometido, concretamente, com a agenda dos trabalhadores e do povo? Você conhece a história do partido? Qual será claramente sua plataforma? Saiba que concorrer à direção do sindicato é completamente diferente de disputar voto na massa do povo. Propostas concretas e foco no nicho eleitoral ajuda a sair do senso e da vala comuns da maioria dos candidatos.

Saiba também que o desafio é diferente, pois uma coisa é disputar voto numa categoria em que se é conhecido. Outra é disputar sendo anônimo para a maioria dos eleitores, que estão ávidos por novidades, gente séria e comprometida com as demandas do povo por mais que isso pareça clichê em tempos de desengajamentos e alheamentos políticos.

Há um ambiente de descrença e desconfiança absolutas do povo, que não confia nos chamados políticos. E, por esta razão, mantém distância e desprezo pela política, o que não bom para democracia. Diferenciar-se sem cair no pitoresco e passar credibilidade, confiança e esperança será a tônica das próximas eleições e o movimento sindical vai precisar atender a essa demanda real e concreta para tentar ocupar os espaços de poder, a fim de atender e defender a agenda dos trabalhadores.


Marcos Verlaine

Marcos Verlaine é jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap.


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