Opinião

A superação real da crise cobra juros menores e mais investimentos

Um Brasil forte e que tenha um horizonte de crescimento com geração de emprego e valorização dos salários precisa de juros reais ainda menores e a ampliação significativa dos investimentos, sem essa receita, não haverá retomada.


POR Adilson Araújo

Publicado em 08 de dezembro de 2017

Foto de Reprodução

Após mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), ocorrida nesta quarta-feira (6), os juros voltaram a cair e a taxa atinge o menor patamar desde 2013, 7%.

Mesmo com as sucessivas reduções, o Brasil ainda possui a maior taxa de juros reais do mundo. É o que aponta o último estudo realizado da Infinity Asset Management que avaliou 40 economias em diferentes regiões do globo.

Nas 40 economias pesquisadas, 26 países têm taxas de juros reais negativa. O Reino Unido, por exemplo, tem taxa negativa de -2,24%, enquanto na Alemanha, a taxa está negativa em -1,92%. Nos Estados Unidos, a taxa é negativa em -1,06%.

Mesmo com a redução, os juros reais no Brasil irão se manter acima dos 3%. Índice muito alto e que inibe o interesse de investimentos - internos e externos - no setor produtivo, base fundamental para a retomada do crescimento de qualquer nação.

Não devemos ter ilusões. Não será somente reduzindo os juros que superaremos a realidade dramática de mais de 26 milhões de brasileiros, hoje, condenados ao desemprego ou a condições de subemprego. E mesmo com a queda dos juros, o Brasil teve um crescimento aproximado de 0,1% no último trimestre.

Os dados comprovam que reduzir os juros é somente um passo dentro da engrenagem do sistema. Não vemos empenho nenhum do governo em investir na retomada da economia, com o fomento de investimentos públicos e privados, para assim estimularmos a geração de emprego e reaquecermos nossa economia.

Um Brasil forte e que tenha um horizonte de crescimento com geração de emprego e valorização dos salários precisa de juros reais ainda menores e a ampliação significativa dos investimentos, sem essa receita, não haverá retomada.


Adilson Araújo

Adilson Araújo é presidente Nacional da CTB.


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