Opinião

Nova conjuntura exige resistência e diálogo ampliado com as bases


POR Wallace Paz

Publicado em 07 de agosto de 2018


O movimento sindical classista brasileiro se encontra em um momento que exige de todos nós, dirigentes de sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais, uma grande dose de sabedoria, experiência, disposição e militância para superarmos as dificuldades que a cada dia se acumulam sobre nossas ações políticas e entidades.

Ao contrário do que imaginávamos há menos de dois anos, o governo ilegítimo de Michel Temer foi capaz de aprovar no Congresso Nacional a Reforma Trabalhista. A autocrítica é necessária para irmos além: não fomos capazes de impedirmos tal retrocesso. Depois, no período de quatro meses entre a aprovação da nova legislação e sua promulgação, alguns de nós imaginaram que seria possível reverter determinados aspectos de seu texto. Mais uma vez, esse cálculo se demonstrou incorreto.

O negociado passou a prevalecer sobre o legislado, a Justiça do Trabalho praticamente se extinguiu, a terceirização ficou escancarada e a contribuição sindical deixou de ser arrecada junto aos trabalhadores. Resistência deve ser a nossa palavra de ordem!

Contudo, nossos próximos passos precisam ser muito bem calculados. Não temos mais margem para erros. Estamos a poucos dias do início efetivo de uma campanha eleitoral histórica, que certamente definirá os rumos políticos do Brasil para as próximas décadas. O papel que o movimento sindical classista poderá exercer na nova conjuntura também estará em jogo. Temos que mergulhar de cabeça nessa tarefa, mas antes disso é necessário voltarmos para as nossas bases, com o intuito de evitar retrocessos mais imediatos para os trabalhadores.

As campanhas salariais estão ocorrendo pelo Brasil afora. É preciso que intensifiquemos o intercâmbio de informações entre nossas bases, pois assim poderemos nos fortalecer e garantir avanços para a nossa categoria, mesmo diante de todas as adversidades da atual conjuntura.

Para tanto, é necessário que cada dirigente sindical se volte para a sua base, procurando dialogar com cada trabalhador e trabalhadora neste momento tão delicado. A representatividade e estruturação de cada uma de nossas entidades sindicais depende de nossa capacidade de resistência e de aproximação com o chão de fábrica.

Devemos apostar em campanhas massivas de sindicalização. Investimentos em Comunicação e Formação não podem ser extintos, sob o risco de nos distanciarmos de nossas bases e permitirmos que os empresários ocupem o espaço que é, por direito, do movimento sindical.

A única alternativa que se apresenta a nós, neste momento, é a intensificação da luta. Com estratégia, tática adequada, inteligência e disposição seremos capazes de superarmos a etapa sombria que estamos vivendo.

Desesperar, jamais! A história vai nos mostrar que a luta pelos interesses do povo acaba sempre prevalecendo.


Wallace Paz

Wallace Paz é secretário-geral da Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (Fitmetal).


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