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Legados da 4ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres (CNPM)

Durante o encontro, três mil delegadas de todas as regiões aprovaram propostas que exigem a continuidade das conquistas nas políticas de proteção e de direitos para as mulheres.


POR Flora Brioschi

Publicado em 17 de maio de 2016

Foto de Reprodução

No Brasil existem hoje cerca de 104 milhões de mulheres, as quais representam 51,6% dos habitantes (PNAD 2014 - IBGE) do país. Parte delas esteve presente na 4ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, realizada em Brasília entre os dias 10 e 12 de maio. Durante o encontro, realizado a despeito do contexto político conturbado, que incluiu o afastamento da primeira mulher a presidir o país, 3 mil delegadas de todas as regiões aprovaram propostas que exigem a continuidade das conquistas nas políticas de proteção e de direitos para as mulheres.

A 4ª CNPM contribuiu para o histórico desses processos participativos ao promover, pela primeira vez, as consultas nacionais com segmentos que sempre encontraram dificuldades para se fazer ouvir. Desde 2004, brasileiras, negras, brancas, indígenas, lésbicas, trans, com deficiência, de todas as religiões, quilombolas, ciganas, do campo, da floresta, das águas e das marés e de diferentes e distantes lugares convergem regularmente para esse território livre que são as conferências de Políticas para as Mulheres.

Todo esse contexto age como se abríssemos uma fresta na misoginia do país. E isso não enche apenas os nossos pulmões, mas os do Brasil todo. A sensação de avançar é maravilhosa, e a 4ª CNPM evidencia que é chegada a hora da estruturação e ampliação das conquistas. Afinal, quando temos nossos direitos ameaçados é a democracia que entra em risco. Vivemos hoje no país uma situação de quebra do Estado Democrático de Direito por conta do golpe em curso para retirar Dilma Rousseff do poder.

Nessa caminhada, ganhamos outras vozes para a segunda década do século 21. Nossa luta ganha diversas etnias, identidades de gênero, classes sociais, regionalidades e faixas etárias. Unidas faremos justiça com as nossas próprias mãos. É preciso humanizar o Brasil. Temos a força de sermos a maioria e protagonistas dos nossos diferentes modos de ser mulher. Vivemos em uma democracia e “DEMOCRACIA” não se faz pela metade. A barbárie quer nos pisotear com um golpe, porém esse não será um combate fácil. É importante guardarmos imagens dos nossos gestos e nos orgulharmos da condição de mulher, para assim refletirmos e continuarmos firmes na LUTA!

Foto de Reprodução

Flora Brioschi

Flora Brioschi, metalúrgica, dirigente da FETIM/CTB Bahia.


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