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O golpe do capital contra o trabalho

Para Adilson Araújo, "é imperioso intensificar a luta social e política para interromper o retrocesso. O ano será de grandes desafios para a classe trabalhadora e o povo. É preciso empenhar toda nossa energia na mobilização e conscientização das base"


POR Adilson Araújo

Publicado em 22 de março de 2018

Em 2016, o Brasil foi vítima de um insidioso golpe de Estado, que, sob a máscara de um impeachment sem crime de responsabilidade, entronizou uma quadrilha entreguista liderada por Michel Temer no Planalto. Esse golpe do capital contra o trabalho uniu as classes dominantes em torno de um projeto de restauração neoliberal, uma afronta à democracia, à soberania, aos direitos e às conquistas do povo.

O governo ilegítimo entrega nossas riquezas ao capital internacional e promete privatizar “o que for possível”. A energia, as águas superficiais e subterrâneas e todo o setor de saneamento estão sob ameaça. O conteúdo local é desprezado, o desemprego atinge mais de 26 milhões e a indústria definha. Empresas como Embraer e Eletrobrás podem ser transferidas para os grandes capitalistas.

Com as reformas, Temer lidera um desmonte sem precedentes. As mudanças na legislação estabelecem o primado do negociado sobre o legislado, flexibilizam as jornadas, criam a figura infame do trabalho intermitente e generalizam a terceirização. O congelamento dos gastos públicos cobra a redução dos investimentos em saúde, educação e infraestrutura, obstruindo a retomada do crescimento.

Com as reformas, Temer lidera um desmonte sem precedentes. As mudanças na legislação estabelecem o primado do negociado sobre o legislado, flexibilizam as jornadas, criam a figura infame do trabalho intermitente e generalizam a terceirização.

O pano de fundo do golpe e das perturbações políticas é a crise econômica e geopolítica do capitalismo. Esta certamente não terá uma solução positiva nos marcos do próprio sistema, que deriva para a reação em toda linha e já flerta com o neofascismo. O resultado é a radicalização dos conflitos entre as classes sociais, em que se destaca a polarização política, a decomposição das forças centristas, o florescimento do extremismo de direita, o crescimento da violência, do ódio e dos preconceitos.

É imperioso intensificar a luta social e política para interromper o retrocesso. O ano de 2018 será de grandes desafios para a classe trabalhadora e o povo. É preciso empenhar toda nossa energia na mobilização e conscientização das bases nas batalhas para barrar a ofensiva golpista e recolocar a nação brasileira no caminho do desenvolvimento soberano, com democracia, fortalecimento da indústria e a valorização do trabalho.


Adilson Araújo

Adilson Araújo é presidente Nacional da CTB.