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A indústria naval como motor da retomada do desenvolvimento

Recuperar novamente essa indústria vital para o Brasil é garantir que milhares de empregos sejam gerados. O potencial é grande, os estaleiros hoje fechados e precarizados podem novamente ressurgir se o governo federal tiver vontade,


POR Jesus Cardoso

Publicado em 22 de março de 2018

O Brasil, maior país da América do Sul, tem uma extensa fronteira marítima, de 7.367 quilômetros, constituída principalmente de praias de mar aberto – sem falar nos grandes rios que percorrem o território nacional. Tal fator justifica por si só a importância da navegação para fins comerciais e para a segurança da Nação. Dessa forma, a indústria naval se torna ainda mais essencial para o nosso país.

O Rio de Janeiro, que foi berço desta indústria ainda no Império, com Barão de Mauá, construiu o primeiro estaleiro em Niterói e guarda até hoje uma importante estrutura, que contribuiu para a retomada da indústria naval a partir dos anos 2000, principalmente com a eleição de Lula em 2002.

Essa retomada da indústria naval, após praticamente fechar nos anos de FHC, representou um novo alento, com novas encomendas a partir da Petrobrás. Para isso, também foi de significativa importância a política de conteúdo nacional, vital para a retomada desta indústria, mas que o governo ilegítimo de Temer mudou, privilegiando as encomendas nos estaleiros do exterior.

A retomada da indústria naval, após praticamente fechar nos anos de FHC, representou um novo alento, com novas encomendas a partir da Petrobrás

Recuperar novamente essa indústria vital para o Brasil é garantir que milhares de empregos sejam gerados. O potencial é grande, os estaleiros hoje fechados e precarizados podem novamente ressurgir se o governo federal tiver vontade, primeiramente com a volta das contratações da Petrobrás, para atender às necessidades que o pré-sal pode proporcionar.

A retomada das encomendas, com a reabertura dos estaleiros, pode gerar imediatamente milhares de empregos, representando um fator preponderante para o desenvolvimento econômico nacional. A indústria naval pode ser o motor deste momento de forte crise e desemprego em alta, beneficiando os trabalhadores brasileiros.

 

Fonte: revista “Indústria, Desenvolvimento e Trabalho”, lançada pela FITMETAL em março de 2018, durante o Fórum Social Mundial


Jesus Cardoso

Jesus Cardoso é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro.