Editorial

Com a indústria ainda em recessão, alta do PIB é frágil

O enfrentamento à crise é urgente e exige mobilização de toda a categoria metalúrgica. A FITMETAL renova a orientação às suas entidades, para que se envolvam ainda mais na campanha “Brasil Metalúrgico”.


POR Marcelino da Rocha

Publicado em 01 de setembro de 2017

Foto de Divulgação

Depois de 12 trimestres seguidos (três anos!) em queda, a economia brasileira registrou uma ligeira alta. Nosso PIB (Produto Interno Bruto, que corresponde à soma de todas as riquezas produzidas no País) cresceu apenas 0,2% no segundo trimestre de 2017, na comparação com o primeiro trimestre. Mas ainda é cedo para comemorar.

Segundo o próprio IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – que divulgou os dados nesta sexta-feira (1/9) –, a recuperação econômica do Brasil é lenta, desigual e motivada por fatores pontuais. O crescimento foi puxado tão-somente pelo setor de serviços ( 0,6%), já que a agropecuária teve estagnação (variação nula, de 0%) e a indústria voltou a cair (-0,5%).

Em relação ao segundo trimestre de 2016, o tombo do setor industrial é ainda maior (de -2,1%). Se levarmos em conta apenas o 1º semestre de 2017, o PIB industrial encolheu 1,6%. Um dos segmentos em crise é o da indústria de transformação, que caiu 1%. A principal razão foi a baixa na produção de equipamentos de transporte (exceto veículos automotivos); de máquinas, aparelhos e materiais elétricos; de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis; e de alimentos e bebidas.

Portanto, mesmo com o índice ligeiramente positivo do PIB nacional, é preocupante diagnosticar que a indústria permanece em recessão. Pior: dado o caráter ultraliberal e anti-industrial do governo Temer – que segue apostando na desnacionalização da economia brasileira –, não há sinais à vista de recuperação do setor. Não por acaso, com fábricas ociosas e o segmento de construção civil parado, a taxa de investimento no segundo trimestre de 2017 despencou para 15,5% do PIB (a menor para esse período do ano desde o início da série histórica do IBGE, em 1996).

Por gerar produtos com alto valor agregado – e, portanto, impactar outros segmentos econômicos –, a indústria é o único setor capaz de, efetivamente, dinamizar a economia nacional como um todo. Cada emprego direto na indústria metalúrgica, por exemplo, pode gerar mais dois ou três empregos indiretos. Sem uma política de incentivo ao conteúdo local e valorização do setor produtivo, não será possível manter um crescimento sustentável e duradouro da economia, imune a contratempos políticos e fatores sazonais. Ao mesmo, é imperioso que o governo eleve a taxa de investimentos.

O enfrentamento à crise é urgente e exige mobilização de toda a categoria metalúrgica. A FITMETAL (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil) renova a orientação às suas entidades, para que se envolvam ainda mais na campanha “Brasil Metalúrgico” e organizem, junto a suas bases, um Dia Nacional de Luta, Protesto e Greve em 14 de setembro.

- Contra o fim dos direitos sociais e trabalhistas, contra o desmonte da Previdência Pública, em defesa das conquistas nas convenções coletivas!

- Em defesa da indústria nacional, do emprego e da retomada do crescimento econômico

- Fora Temer, Diretas Já!


Marcelino da Rocha

Marcelino da Rocha é presidente da FITMETAL e dirigente nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). Foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região (MG) por quatro mandatos