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Brasil Metalúrgico assume protagonismo contra chantagens da GM do Brasil


POR Fernando Damasceno

Publicado em 01 de fevereiro de 2019


O Movimento Brasil Metalúrgico fez sua primeira reunião de 2019 nesta sexta-feira (1º), em São Paulo, para debater a estratégia de luta contra as chantagens apresentadas há poucas semanas pela General Motors do Brasil, que ameaçou deixar o País caso suas reivindicações no campo trabalhista não sejam atendidas.

A FITMETAL foi representada na reunião por seu presidente, Marcelino da Rocha, além de seu secretário de Formação, Marcelo Toledo, e seu secretário de Assuntos Institucionais, José Francisco Salvino.

O encontro desta sexta-feira teve um caráter ampliado, já que sindicalistas de outras categorias (tais como borracheiros e químicos) também marcaram presença.

Unidade é palavra de ordem

Para o presidente da FITMETAL, mais uma vez fica clara a importância do Brasil Metalúrgico, diante da postura atual da GM. “Nós da FITMETAL Não temos nenhuma base em plantas da GM, mas temos consciência de que o reflexo do resultado final desse processo será o mesmo para todos os trabalhadores das demais montadoras. Portanto, nós, que estamos desde o início como parte integrante do Brasil Metalúrgico, estamos prontos para enfrentar o que vier pela frente. Nossa resistência será fundamental”, ponderou. “Precisamos de muita sabedoria para dialogar com os trabalhadores daqui por diante. Temos o governo Bolsonaro pela frente, mas também temos o pior Congresso Nacional da história do País”, afirmou Marcelino.

Marcelo Toledo, que é trabalhador da GM de São Caetano do Sul (SP) há 29 anos, afirmou que mais uma vez a empresa faz uso de uma tática já conhecida daqueles que há décadas militam dentro de seus muros. “O que move a GM é o lucro, sempre às custas da nossa força de trabalho. É uma falácia a afirmação de que a empresa tem prejuízo no Brasil. Precisamos da unidade de toda a categoria metalúrgica para enfrentá-los”, disse o dirigente da FITMETAL.

As chantagens da GM

No último dia 23 de janeiro, a GM tornou público seu plano de reestruturação no Brasil, em documento destinado aos sindicatos de Metalúrgicos de São Caetano do Sul (SP) e São José dos Campos (SP). Tendo como base a reforma trabalhista promulgada em novembro de 2017, a empresa propõe, entre outras medidas, a redução do piso salarial, o aumento da jornada semanal de trabalho (de 40h para 44h), a terceirização de todas as atividades, a implantação da jornada intermitente, o fim do pagamento de horas extras e a extinção da estabilidade para trabalhadores lesionados.

Estima-se que cerca de 15 mil funcionários seriam diretamente afetados pelas medidas. Prontamente, os sindicatos das bases envolvidas passaram a se mobilizar para enfrentar a inciativa da montadora, que rapidamente passou a ser tachada como chantagista após ameaçar fechar suas fábricas no Brasil caso não tenha suas reivindicações atendidas.

Planejamento e ação

Alguns encaminhamentos foram definidos durante a reunião, como estratégia inicial para impedir que as propostas da GM prosperem:

- Participar ativamente, ao lado das centrais sindicais, do Dia Nacional de Luta agendado para 20 de fevereiro, em São Paulo (SP);

- Produzir um jornal unitário para ser distribuído em todo o Brasil, tratando da questão da GM, da Reforma da Previdência e da tragédia de Brumadinho (MG);

- Promover, de modo conjunto e em nível internacional, uma ação unitária de protestos em concessionárias da GM em diversos países, denunciando as propostas de precarização defendidas pela montadora.


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